Os humanos podem ter colonizado a ilha de Madagáscar milhares de anos mais tarde do que se julgava, indica um estudo publicado hoje na revista científica PLOS ONE.

Baseando-se em vestígios arqueológicos recolhidos no sudoeste de Madagáscar e em novas análises de vestígios analisados em estudos anteriores, os investigadores da universidade de Camberra, na Austrália, admitem que a colonização da ilha tenha começado há 1.200 anos, e não há 5.000 anos como outros estudos indicavam.

A colonização de Madagáscar é um dado importante para perceber a dispersão humana pré-histórica através do oceano Índico.

Descobertas arqueológicas, como ferramentas de sílex e carvão, indicavam a presença humana em Madagáscar há cerca de 1.500 anos, mas outros estudos vieram depois dizer que os primeiros homens estavam na ilha há 5.000 anos, a data de ossos de animais com marcas de cortes, presumivelmente feitos pelos humanos.

Atholl Anderson e outros investigadores da universidade examinaram de novo esses ossos e escavaram outros em três novos locais (de animais como hipopótamos, crocodilos, lémures e tartarugas gigantes e elefantes), e concluíram que essas marcas de cortes não eram de proveniência humana mas eram antes marcas de dentadas de outros animais, de pressões de ramos das árvores quando da morte, e até de cortes quando os ossos foram escavados.

O estudo agora divulgado também confirmou anteriores indícios de que os grandes animais desapareceram da ilha num período que começou há 1.200 anos.

Conclui-se no estudo que a colonização humana começou num período entre há 1.350 e 1.100 anos, tendo a caça levado à gradual extinção desses grandes animais.