A coligação militar dos países árabes que intervêm no Iémen, liderada pela Arábia Saudita, anunciou hoje ter matado mais de 400 Huthis nos últimos quatro dias em Marib, garantindo ter travado o avanço dos rebeldes sobre a cidade estratégica.

O porta-voz da coligação, Turki al-Maliki, disse numa declaração, citado pela agência Efe, que os ataques aéreos causaram “a destruição de 15 veículos militares da milícia [Houthi] e a perda de mais de 400 elementos terroristas durante as últimas 96 horas” no distrito de Al Abdiyah, no sul da cidade de Marib, no norte do país.

Al-Maliki disse que estas operações decorrem desde há 18 dias e conseguiram travar o avanço do movimento xiita apoiado pelo Irão no distrito, que tinha sido recentemente apreendido pelos Huthis.

O distrito de Al Abdiyah é um dos maiores da capital da província de Marib, o último baluarte internacionalmente reconhecido do governo do Iémen no norte do país, com cerca de 31.500 habitantes.

Os Huthis, um movimento xiita apoiado pelo Irão, têm vindo a desenvolver uma ofensiva desde fevereiro sobre esta província estratégica, rica em recursos de petróleo e gás e que liga as províncias de Al-Bayda (centro), Shabwa (sul) e Al-Jawf (norte) com a capital, Sanaa, que tem estado nas mãos do grupo rebelde desde 2014.

Al-Maliki apelou à “ONU e às ONG [organizações não-governamentais] para assumirem as suas responsabilidades humanitárias para com os civis presos em Al Abdiyah" pelo avanço dos Huthis.

A Organização Internacional para as Migrações advertiu na passada quinta-feira que a escalada das hostilidades em Marib e arredores forçou milhares de pessoas a fugir, provocando um “aumento alarmante de deslocações” desde o início de setembro.

A coligação saudita de países árabes tem vindo a intervir desde 2015 no conflito interno do Iémen a favor do Presidente internacionalmente reconhecido, Abdo Rabu Mansur Hadi, que se encontra exilado em Riade, na sequência da conquista pelos Huthis de grandes partes do Iémen central e ocidental.

Agência Lusa / MJC