Organizações de defesa dos direitos cívicos e dos refugiados e particulares anunciaram na sexta-feira a apresentação de um recurso contra o decreto do Presidente Trump sobre imigração, reforçando a batalha judicial iniciada por vários estados do país.

Passar uma nova camada de tinta sobre a interdição de entrada dos muçulmanos não resolve o problema fundamental que é o de a Constituição e das nossas leis proibirem a discriminação religiosa”, disse Omar Jadwat, diretor do projeto Direitos dos Imigrantes, da União Americana das Liberdades Cívicas, a ACLU, acrescentando que "quanto mais o Presidente Trump se aventurar por esse caminho, mais claramente vai parecer que viola essa norma fundamental”.

O recurso federal contra o novo decreto anti-imigração de Donald Trump foi interposto pela ACLU e pelo National Immigration Law Center em nome das organizações de defesa e ajuda aos refugiados HIAS e International Refugee Assistance Project, da associação Middle East Studies, assim como de vários particulares, “incluindo os cidadãos norte-americanos afetados pelo decreto", precisou a ACLU.

O novo decreto, tal como o primeiro, “é motivado por um sentimento antimuçulmano e descrimina explicitamente sobre a base das origens nacionais”, referem as organizações no recurso.

Vários estados norte-americanos estão envolvidos numa batalha judicial paralela contra este novo decreto, que entra em vigor em 16 de março e proíbe temporariamente a entrada nos Estados Unidos dos refugiados de todo o mundo e de cidadãos de seis países de maioria muçulmana (Irão, Líbia, Síria, Somália, Síria, Sudão, e Iémen).

Na sexta-feira, o mais alto responsável da justiça do Estado do Maryland, Brian E. Frosh, anunciou que iria juntar-se ao recurso já interposto pelo Estado de Washington, qui tinha estado na origem da suspensão do primeiro texto.

A administração continua a querer implementar uma política desumana e inconstitucional e prejudica a nossa segurança em vez de nos proteger”, afirmou.

As pessoas com autorização de residência, que detém os conhecidos ‘green card’, e os titulares de vistos estão explicitamente protegidos e podem continuar a viajar para os Estados Unidos, assegurou a administração norte-americana.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova versão do controverso decreto sobre imigração que foi bloqueado pela justiça americana e decidiu retirar o Iraque da lista de países visados.

Na nova versão do decreto, que visa impedir a entrada de cidadãos de certos países nos Estados Unidos, são agora referenciados seis países de maioria muçulmana: Irão, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen. O Iraque, incluído na primeira versão, ficou de fora.

O novo decreto entra em vigor em 16 de março, por 90 dias, segundo os documentos publicados esta semana pelo Departamento de Segurança Interna norte-americano.