Morreu Vincent Lambert, o tetraplégico francês que estava em estado vegetativo há mais de dez anos e a quem foram desligadas as máquinas no passado dia 9, avança a imprensa francesa. A decisão foi tomada pelo mais alto tribunal de recurso de França. Depois de uma longa batalha judicial, os pais confessaram-se resignados a uma situação que dizem, ainda assim, não aceitar.

"Vincent morreu às 08:24 desta manhã" no hospital de Reims (nordeste da França), revelou o sobrinho do tetraplégico francês, Francis.

Em maio, os médicos chegaram a desligar as máquinas de suporte de vida que garantiam a alimentação e hidratação de Vicent mas, horas depois, o tribunal aceitou o recurso dos pais do quadraplégico - Viviane, de 73 anos, e o marido, Pierre, de 90 - e ordenou que fossem retomados os tratamentos até que a ONU se pronunciasse. O caso passou então para o Tribunal de Cassação que se pronunciou no final de junho.

Vincent Lambert, de 42 anos, estava hospitalizado desde 2008. Em abril de 2013, o hospital, com o consentimento de Rachel, a mulher de Vincent, colocou em marcha o protocolo de fim de vida - em França, a eutanásia é proibida, mas os médicos podem administrar uma sedação profunda a um doente terminal, desligando-o das máquinas de suporte vital.

Porém, os pais e uma irmã de Vincent por quatro vezes recorreram da decisão das mais altas instâncias dos tribunais, que confirmaram a decisão dos médicos e da mulher de Lambert (apoiada por cinco irmãos e um sobrinho de Vicent) de deixá-lo morrer; também o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, chamado por duas vezes a pronunciar-se, deu razão aos especialistas e a Rachel Lambert. Duas equipas médicas concluíram que o estado vegetativo de Lambert era irreversível.