A Rússia anunciou esta terça-feira que aprovou a “primeira vacina mundial" contra o novo coronavírus, sendo que o Executivo sublinhou que a filha do presidente Vladimir Putin já a tomou.

Uma das minhas filhas tomou a vacina. Neste sentido, fez parte da experiência. Depois da primeira dose tinha uma temperatura de 38 graus. No dia seguinte teve 37 graus", disse Putin.

Segundo Putin, o ministério da Saúde aprovou a vacina desenvolvida pelo instituto Gamaleya, em Moscovo, que já tinha sido testada em humanos durante dois meses.

O presidente russo avançou ainda que espera que a produção em massa da vacina comece o mais cedo possível.

A Vice primeira-ministra Tatyana Golikova adiantou à imprensa que a vacina será ministrada a trabalhadores de saúde no início de Setembro e estará disponível ao público, em regime de voluntariado, no início de janeiro.

Embora Vladimir Putin garanta que a vacina é eficaz, a comunidade científica já revelou estar preocupada com uma possível fuga a todas as fases da testagem.

Na semana passada Anthony Fauci, o maior especialista norte-americano em doenças infecciosas, já tinha questionado o processo, afirmando esperar que chineses e russos estejam na realidade a testar uma vacina antes de a administrarem em pessoas, porque ao contrário seria “problemático”.

Lawrence Gostin disse também que oferecer um composto não seguro aos trabalhadores médicos da “linha da frente” pode piorar a situação. “E se a vacina começasse a matá-los, ou a colocá-los muito doentes?”, questionou.

Svetlana Zavidova, diretora executiva da Associação de Ensaios Clínicos da Rússia, disse, citada pela AP: “São necessários vários anos para desenvolver qualquer medicamento. Vender algo que o [instituto] Gamaleya testou em 76 voluntários durante os ensaios da Fase 1 e Fase 2 como um produto acabado não é sério”.

De acordo com a AP, a Rússia ainda não publicou dados científicos dos seus primeiros ensaios clínicos, e na lista de vacinas candidatas da OMS em testes em humanos continuar a aparecer o produto Gemaleya como estando nos ensaios da Fase 1.

Vacina russa chama-se "Sputnik V" e foi já pedida por 20 países

A vacina russa contra a Covid-19, cujo registo foi anunciado pelo Presidente, Vladimir Putin, chama-se "Sputnik V", vai começar a ser fabricada em setembro e já foi encomendada por 20 países.

De acordo com fontes oficiais russas, "20 países já pré-encomendaram um milhão de doses da vacina russa". 

A produção industrial vai começar em setembro e, segundo o Kremlin, passa a estar disponível em janeiro de 2021.

Mais de um milhão de doses" já foram pré-encomendadas por "20 países estrangeiros" disse Kirill Dmitriev, presidente do conselho de administração do Russian Direct Investment, o fundo soberano russo envolvido na investigação científica e no financiamento das pesquisas. 

A vacina contra o SARS CoV-2 desenvolvida pelos cientistas russos chama-se "Sputnik V" (o "V" significa "vacina") em referência ao satélite soviético, o primeiro aparelho espacial a ser lançado para a órbita do planeta Terra, disse hoje Vladimir Putin.

A pandemia já provocou mais de 733 mil mortos e infetou mais de 20 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Henrique Magalhães Claudino / Atualizada às 10:28