Enquanto em Portugal os patrões batem o pé e dizem que não é possível um aumento do salário mínimo para mais de 600 euros em 2019 - entrevista de António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal, à Renascença e Público esta quinta-feira - em Espanha há um acordo histórico.

O pacto assinado pelo presidente do governo, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), e o secretário- geral do Podemos, Pablo Iglesias, que apoia o governo, inclui medidas para o mercado de trabalho, entre as quais a mais impressionante: o aumento do salário mínimo até 900 euros mensais brutos, repartido em 14 pagamentos, ou 1.050 euros, se forem feitos só 12 pagamentos por ano, noticia o jornal espanhol El Pais.

Uma negociação que se assemelha às que estão a decorrer em Portugal em véspera de entrega da proposta de Orçamento do Estado para 2019.

A medida excede o caminho acordado pelo governo de Mariano Rajoy com os parceiros sociais, que previa um aumento para 850 euros em 2020 se a economia crescesse 2,5% ou mais em cada ano. 

Segundo noticia o jornal espanhol, a concretizar-se o aumento de 22,3% para o salário mínimo, é o maior desde 1977, quando aumentou duas vezes: 15,8% e 13,6%.

O PSOE e o Podemos também concordaram em voltar à prorrogação indefinida dos acordos coletivos até que haja um novo. A que acresce, mais ajuda aos desempregados e a reestruturação do apoio aos desempregados de longo prazo – esta última não será incluída no orçamento (s) para 2019, mas preparada ao longo do ano que vem.

Ambos os signatários do pacto também se comprometeram a concluir, o quanto antes, o procedimento parlamentar da proposta de lei que vai permitir por fim à diferença salarial entre homens e mulheres.

A luta contra os falsos recibos verdes é outras das batalhas, cujo o fim promete chegar com alterações à lei ainda em 2018.