O primeiro-ministro dinamarquês Lars Løkke Rasmussen pediu, este domingo, ao homólogo turco, Binali Yildirim, que adie a visita ao país que estava prevista para este mês.

Em circunstâncias normais, seria um prazer para mim receber o primeiro-ministro Yildirim em Copenhaga. Mas com os últimos ataques verbais da Turquia contra a Holanda, uma nova reunião entre nós não poderia ser isolada disso”, disse Rasmussen.

O Governo dinamarquês adianta ainda que está a acompanhar os desenvolvimentos na Turquia “com grande preocupação, enquanto os princípios democráticos estão sob uma pressão considerável”.

Uma reunião, neste contexto, poderia ser interpretada como se a Dinamarca estivesse a encarar a evolução dos acontecimentos na Turquia com mais suavidade, o que não é, de todo, o caso”, acrescentou o primeiro-ministro dinamarquês, em comunicado.

O Presidente turco voltou, este domingo a acusar o governo holandês de um comportamento “nazi e fascista” depois da expulsão de uma ministra turca que pretendia realizar uma reunião política, afirmando que este país “pagará o preço”.

Numa alocução em Istambul, Recep Tayyip Erdogan afirmou que o tratamento reservado à ministra e a outros responsáveis turcos na Europa traduziam um aumento “do racismo e do fascismo”.

Os Países Baixos pagarão o preço”, acrescentou, agradecendo à França ter autorizado a visita do chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, a este país.

O presidente da Turquia apelou ainda às organizações internacionais para que "levantem a voz" contra a Holanda, depois de as autoridades holandesas terem impedido a aterragem de um ministro turco e escoltado outra para fora do país.

Marcelo alerta para a necessidade de evitar divisões

Marcelo Rebelo de Sousa alertou este domingo para a necessidade de evitar divisões na Europa e que possam comprometer o relacionamento com a Turquia, numa referência à atual crise político-diplomática entre Ancara e diversos países europeus.

É importante para a Europa que não haja divisões, que não haja o questionar do relacionamento entre a União Europeia (UE) e um país que tem um acordo com a União Europeia por causa dos refugiados e migrantes”, referiu o Presidente da República em declarações à imprensa.

 

Conviria, por razões que têm a ver com a UE e também com a NATO, que não houvesse um afrontamento entre países que, tradicionalmente, têm boas relações”, acrescentou.

 

Por outro lado também conviria que não houvesse uma subida daquilo que se chama na Europa os populismos”, concluiu.

A proibição de comícios com a presença de ministros turcos no âmbito da campanha para o referendo de 16 de abril na Turquia sobre o reforço dos poderes presidenciais, em particular por parte das autoridades na Alemanha e Holanda, está na origem de uma grave crise diplomática.

O governo turco insiste nestes comícios para convencer a diáspora na Europa a votar a favor do referendo destinado a reforçar os poderes presidenciais de Recep Tayyip Erdogan. A Alemanha inclui a mais importante comunidade turca do mundo fora da Turquia, com cerca de três milhões de pessoas.