O Governo brasileiro suspendeu a aplicação da vacina AstraZeneca em grávidas e mulheres no período pós-parto, na sequência da morte de uma grávida, e restringiu a vacinação em grávidas com doenças preexistentes.

O anúncio foi feito na terça-feira pelo Ministério da Saúde brasileiro, que acrescentou que as grávidas com doenças preexistentes devem receber apenas as vacinas CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, e a da farmacêuticas Pfizer-BioNTech.

A suspensão da vacina da AstraZeneca foi recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) brasileira, após a notificação da morte suspeita de uma grávida, de 35 anos.

Foi notificada à Anvisa, na última sexta (7 de maio de 2021), pelo próprio fabricante da vacina (…), a suspeita de evento adverso grave de acidente vascular cerebral hemorrágico com plaquetopenia ocorrido em gestante e óbito fetal", indicou a Anvisa, na terça-feira, em comunicado.

A mulher morreu em 10 de maio e o caso, que poderá estar relacionado com a administração da vacina, ainda está sob investigação.

A Anvisa disse que, até ao momento, não detetou outros eventos adversos graves com grávidas.

O Governo brasileiro sublinhou não estar ainda provado que a vacinação tenha causado a complicação na mulher.

"É uma cautela que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) tem até ao encerramento do caso e [para] verificar o cenário epidemiológico em relação à vacina", disse a coordenadora do PNI, Francieli Fontana, em conferência de imprensa.

"Destaco a importância que essa vacina tem para o PNI. Precisamos separar essa questão, porque é uma vacina que estamos aplicando na população com benefícios", acrescentou.

O consultor do PNI, o imunologista Jorge Kalil, sublinhou que os "casos de trombose são raríssimos".

Até ao momento, pelo menos 22.295 grávidas já foram vacinadas no país, segundo os dados do Ministério da Saúde. Dessas, 15.014 receberam a vacina da AstraZeneca, 3.414 a Coronavac e 3.867 a vacina da Pfizer-BioNTech.

Em março, O Governo brasileiro incluiu grávidas e mulheres em período pós-parto com comorbidades no grupo prioritário para receber vacinas contra a covid-19, devido ao aumento de mortes causadas pela doença neste grupo. Em abril, a inclusão foi estendida a todas as grávidas.

Ainda na conferência de imprensa de terça-feira, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, indicou que o executivo vai comprar mais 100 milhões de doses da vacina da Pfizer-BioNTech, para serem usadas no PNI.

A compra foi viabilizada após a edição de uma medida provisória que abriu um crédito extraordinário de 5,5 mil milhões de reais (870 milhões de euros) para o efeito.

O Brasil, um dos países mais afetados pela pandemia em todo o mundo, totaliza 425.540 e mais de 15,2 milhões de casos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.306.037 mortos no mundo, resultantes de mais de 158,8 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.994 pessoas dos 840.008 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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