O primeiro-ministro em funções, do PSOE, Pedro Sánchez, e o líder do partido Unidas Podemos, Pablo Iglesias, assinaram esta terça-feira um pré-acordo para a formação de um governo de coligação "progressista".

Os espanhóis falaram e cabe aos partidos responder à sua vontade", afirmou Pedro Sánchez depois de assinar o documento, enquanto Pablo Iglesias realçou a honra que constitui para o seu partido fazer parte do governo.

O que foi impossível durante seis meses parece ter-se desbloqueado em menos de 48 horas. Segundo o El País, que cita fontes próximas dos dois partidos, os contactos começaram na segunda-feira num ambiente de discrição. Mas só esta terça-feira de manhã o PSOE divulgou um comunicado, informando que os dois líderes se iam reunir às 13:45 (hora local) no Congresso dos Deputados.

Este pré-acordo entre PSOE e Podemos prevê que Iglesias seja vice-presidente do novo governo.

Durante os últimos seis meses (que se seguiram às eleições de 28 de abril), as relações entre Sánchez e Iglesias foram marcadas por grande crispação. O líder socialista rejeitou sempre a ideia de membros do Podemos poderem integrar um governo seu.

Mas as eleições de domingo enfraqueceram as posições de ambos (tanto o PSOE como o Podemos perderam deputados) e isso terá levado a uma maior flexibilidade na negociação. Num cenário de novas eleições, Sánchez correria o risco de perder o governo.

A assinatura do pré-acordo até ficou marcada por um abraço entre os dois líderes, registado pelas câmaras dos órgãos de comunicação presentes. 

Sánchez e Iglesias informaram que agora vão tentar obter o apoio de outros partidos no parlamento, necessário à obtenção de uma maioria parlamentar que garanta a investidura do futuro executivo.

Há vários cenários em cima da mesa: com os apoios dos partidos Más País, PNV, PRC, BNG e Teruel Existe, será necessária apenas a abstenção dos partidos ERC e Bildu (que sempre optaram pela abstenção). Caso não queira depender destes votos, o PSOE terá de convencer o Ciudadanos a abster-se também.

O líder do partido de esquerda Más País, Íñigo Errejón, já saudou este pré-acordo e informou que o seu partido irá trabalhar para que seja possível uma maioria. 

Os espanhóis acordaram na segunda-feira com um cenário político ainda mais fragmentado depois das eleições deste domingo.

O PSOE, de Pedro Sánchez, venceu, mas perdeu deputados, e a direita ganhou mais força, com o partido Vox, de extrema-direita, a subir a terceira força política. Os socialistas elegeram 120 deputados, muito aquém da maioria absoluta que os 176 assentos permitiria.