Uma nova versão preliminar do acordo da COP26, publicada esta sexta-feira, mantém a referência aos combustíveis fósseis, apesar de uma forte campanha por parte dos principais produtores de carvão, petróleo e gás para a retirar do texto.

O documento foi tornado público no último dia da conferência de quase duas semanas, mas ainda não é final: é necessário que todas as 197 partes presentes concordem com ele.

Embora mantenha a referência aos combustíveis fósseis, a linguagem foi ligeiramente atenuada, em comparação com a versão anterior. O documento mais recente pede a aceleração da "eliminação progressiva da energia a carvão e dos subsídios ineficientes para os combustíveis fósseis", enquanto o rascunho anterior não incluía a palavra "ineficiente".

Ainda assim, a ser mantido, mesmo que da forma atual, será o primeiro acordo climático entre os países a mencionar o papel dos combustíveis fosseis, o maior contribuinte para a crise climática causada pelo Homem.

A conferência do clima que decorre em Glasgow, Reino Unido, está marcada para terminar esta sexta-feira, mas a falta de consenso sobre o texto final deverá prolonga-la pelo fim de semana.

Na manhã desta sexta-feira deverá haver uma reunião entre o presidente da cimeira e os representantes dos países, para se chegar a um texto final, mas o próprio presidente, Alok Sharma, tem dito que ainda há muito para resolver.

A COP26 decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta a entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia de covid-19, segundo a ONU, que estima que, ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 ºC.

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Rafaela Laja