A Johnson & Johnson vai adiar a entrega de vacinas contra a covid-19 na Europa. Segundo a empresa, estão em avaliação os casos de formação de coágulos em pessoas que receberam a vacina.

A vacina começava a chegar à União Europeia esta semana, sendo que países como Espanha e França já tinham recebido algumas doses. Para Portugal, e segundo tinha apurado a TVI, estavam previstas cerca de 30 mil doses para quinta-feira, num bolo total de 1,25 milhões de vacinas até junho.

O adiamento da entrega surge depois de terem sido detetados casos de coágulos sanguíneos em seis pessoas vacinadas nos Estados Unidos, o que levou a Administração de Medicamentos e Alimentos e o Centro para o Controlo de Doenças norte-americanos a pedirem a suspensão da vacinação com aquele produto.

Segundo comunicado da farmacêutica, o objetivo é preservar a segurança e o bem-estar das pessoas que usam os seus produtos.

Estamos conscientes dos casos de coágulos sanguíneos num baixo número de pessoas que receberam a vacina. A FDA e o CDC estão a rever os seis casos reportados", refere a empresa, sendo que já foram administradas quase sete milhões de doses desta vacina em solo norte-americano.

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) sublinhou entretanto que ainda está “a investigar” os casos de tromboembolismo detetados após a administração da vacina da Johnson & Johnson e alertou que, “para já, não se sabe se há relação causa-efeito”.

O comité de segurança da EMA está a rever a segurança da vacina investigando estes casos e a necessidade de uma eventual medida de regulação só será decidida quando houver conclusões científicas, explicou uma porta-voz da agência.

A EMA recordou ainda que os casos que estão em investigação foram detetados nos Estados Unidos, onde esta vacina foi utilizada com uma autorização de uso de emergência.

Este pode ser um problema no desenrolar da vacinação contra a covid-19 em Portugal e no resto da União Europeia. Recorde-se que, ao contrário das outras vacinas já aprovadas (AstraZeneca, Moderna e Pfizer), a vacina da Johnson & Johnson é de toma única, o que aceleraria definitivamente o processo de vacinação.

Ao todo, a União Europeia acordou com a Johnson & Johnson a aquisição de 200 milhões de vacinas, com outras 200 milhões opcionais. Dessas, um total de 4,5 milhões é esperado para Portugal até ao final do ano.

António Guimarães