A chanceler alemã, Angela Merkel, acaba de anunciar que os 16 governos regionais da Alemanha chegaram a acordo para endurecer as medidas restritivas de combate à covid-19.

Escolas e lojas não essenciais vão fechar a partir de quarta-feira e até 10 de janeiro. Ou seja, em termos de comércio, apenas supermercados, farmácias e bancos vão manter as portas abertas nas próximas semanas.

Às empresas é pedido que optem pelo teletrabalho ou que os trabalhadores possam tirar férias. Os bares e restaurantes encontravam-se já encerrados, bem como museus, teatros e todas as instalações desportivas.

Entre 24 e 26 de dezembro, apenas serão permitidas reuniões entre membros de dois agregados familiares. Com exceção desses dias de Natal, mantém-se em vigor a regra que limita cinco o número de pessoas em reuniões em espaços fechados, sem contar com crianças até aos 14 anos.

É, ainda, proibida a venda de foguetes e fogo-de-artifício, usados tradicionalmente para celebrar o Ano Novo, e de álcool ao ar livre, uma opção para muitos restaurantes e bares, que tinham bancas nas ruas para a venda de vinho quente (“Glühwein”), uma tradição natalícia alemã.

Somos obrigados a agir e vamos agir", defendeu Angela Mekel, em conferência de imprensa em Berlim, acompanhada do ministro das Finanças, Olaf Sholz, e do governador da Baviera, Markus Söder.

O ministro das Finanças anunciou que em breve será aprovado um novo pacote de apoio à economia.

A chanceler alemã voltou a apontar "as muitas mortes" e “o crescimento exponencial das infeções”, evocando os números de hoje, particularmente altos tratando-se de um domingo.

Tendo em conta os números da covid-19, a chanceler alemã e os chefes dos executivos regionais reuniram-se este domingo, por videoconferência, para decidirem aumentar as restrições na vida pública e atividade económica para um confinamento “mais duro”.

Já na última quarta-feira, Merkel tinha defendido um endurecimento das restrições na vida pública e na atividade económica, mas também no Natal, devido ao número elevado de mortos.

Como as competências neste âmbito estão nos estados federais, não existia uma decisão unificada, apesar de alguns "Länder" terem avançado para o confinamento completo, o que sucedeu, este domingo, na Saxónia (leste), com escolas e lojas fechadas. Já Baden-Württemberg (sudoeste) aplicou novas restrições desde sábado.

Outros, como a Baviera (sul), aplicaram medidas nos últimos dias, além das acordadas no final de dezembro.

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Nas últimas 24 horas, a Alemanha registou 20.200 novas infeções e 321 mortes, segundo dados do Instituto Robert Koch (RKI), citados pela agência EFE.

Em comparação com o domingo anterior, foram contabilizados quase 2.500 casos a mais.

O recorde verificou-se na sexta-feira, com 29.875 novos casos e 598 vítimas mortais.

Nos últimos sete dias, foram registados 140.383 casos na Alemanha - o país mais populoso da União Europeia, com 83,2 milhões de habitantes -, sendo que a incidência acumulada nesse período para o país como um todo é de 169,1 casos por cada 100.000 habitantes.

Desde o início da pandemia, a Alemanha contabilizou 1.320.716 infeções (mais de 1,5% da população) e 21.787 óbitos.

O RKI estima que o número de recuperados seja de 967.900 pessoas, enquanto cerca de 330.000 são casos ativos.

Catarina Machado / com Lusa