A anglo-iraniana Nazanin Zaghari-Ratcliffe, condenada por Teerão a cinco anos de prisão por espionagem, compareceu hoje em tribunal num novo processo relacionado com alegadas atividades de propaganda contra o Irão.

A cidadã de 42 anos, com dupla nacionalidade, é acusada de "propaganda contra o sistema [político da República Islâmica] por participar num comício fora da embaixada iraniana em Londres, em 2009", disse à agência AFP o seu advogado, Hojjat Kermani.

Numa única sessão, "as alegações finais foram apresentadas e o julgamento foi concluído", informou Kermani, sem adiantar em que data é conhecido a sentença.

O advogado espera que a anglo-iraniana "seja absolvida", tendo em conta "as provas apresentadas" e por Nazanin Zaghari-Ratcliffe "ter cumprido a pena anterior".

Funcionária da Fundação Thomson Reuters, ramo filantrópico da agência noticiosa canadiano-britânica com o mesmo nome, Zaghari-Ratcliffe foi detida com a sua filha, hoje com seis anos, em abril de 2016, no Irão, numa visita à família.

Condenada em 2016 a cinco anos de prisão, por sedição, acusação que sempre negou, Nazanin Zaghari-Ratcliffe foi libertada no final da pena, em 7 de março passado, após um ano com pulseira eletrónica, devido à pandemia.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, num contacto por telefone com o presidente iraniano, Hassan Rohani, pediu a "libertação imediata" de todos os anglo-iranianos detidos e o regresso a Londres de Nazanin Zaghari-Ratcliffe.

Um relatório médico pedido pela organização não-governamental (ONG) Redress, entregue ao chefe da diplomacia britânica e divulgado na sexta-feira, indicava que Zaghari-Ratcliffe sofre de stress pós-traumático severo após sofrer "maus-tratos" enquanto esteve detida no Irão e a ONG defendeu que a anglo-iraniana deve ser reconhecida por Londres como "vítima de tortura".

As autoridades iranianas negaram que Nazanin Zaghari-Ratcliffe tenha sido maltratada.

O marido considera que a sua mulher é "refém" de Teerão, que a utiliza como meio de pressão para exigir a Londres o pagamento de uma antiga dívida britânica, de 432 milhões de euros, que o Irão pagou em 1979 ao Reino Unido por tanques nunca entregues.

O Irão, que não reconhece a dupla nacionalidade, negou o acesso consular do Reino Unido a Zaghari-Ratcliffe enquanto esteve na prisão e tem criticado os apelos de Londres para a sua libertação, considerando-os uma interferência nos seus assuntos internos.

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