As autoridades de saúde dinamarquesas anunciaram esta quarta-feira a retirada do fármaco produzido pela AstraZeneca do plano de vacinação contra a covid-19 do país.

“A campanha de vacinação na Dinamarca vai continuar sem a vacina [da] AstraZeneca”, afirmou o diretor da Agência Nacional de Saúde, Søren Brostrøm, em conferência de imprensa.

O país escandinavo torna-se assim o primeiro da Europa a abandonar a vacina da farmacêutica AstraZeneca.

Com esta decisão, o plano de vacinação do país vai sofrer um atraso de algumas semanas em comparação ao que estava delineado inicialmente.

A notícia foi inicialmente avançada jornal Politiken e a televisão TV2, com a Autoridade de Saúde da Dinamarca a confirmar a situação mais tardes. A informação foi adiantada por várias fontes "centrais" do governo da Dinamarca (em anonimato), separadamente a estes dois órgãos de comunicação.

Em comunicado, o governo dinamarquês esclarece que a "possível ligação" entre casos muito raros de coágulos sanguíneos e a vacina da AstraZeneca "aliado ao facto da epidemia de covid-19 estar atualmente sob controlo na Dinamarca, e há outras vacinas contra a covid-19 disponíveis, foi fundamental na decisão da Autoridade de Saúde Dinamarquesa de continuar o plano de vacinação contra a covid-19 sem a vacina da AstraZeneca".

A campanha de vacinação da União Europeia tem sido marcada por grandes atrasos na entrega de vacinas por parte da AstraZeneca e pelos efeitos secundários do seu fármaco, dada a confirmada ligação a casos muito raros de formação de coágulos sanguíneos.

Inicialmente, a Dinamarca optou por suspender o uso da vacina da AstraZeneca, tendo prorrogado a decisão por mais três semanas, a partir de 25 de março.

O país tem quase 150 mil pessoas inoculadas com o fármaco, segundo dados oficiais.

Atualmente, estão aprovadas quatro vacinas na UE: Pfizer/BioNTech, Moderna, Vaxzevria (novo nome da vacina da AstraZeneca) e Janssen.

Rafaela Laja