A China não é um inimigo dos aliados e, por isso, "não vai haver uma nova Guerra Fria", disse o secretário-geral da NATO, nesta segunda-feira, em Bruxelas.

Não vamos entrar numa nova Guerra Fria e a China não é o nosso adversário, o nosso inimigo", afirmou aos jornalistas, à entrada para a cimeira de líderes.

No entanto, Jens Stoltenberg defendeu que os aliados devem responder "em conjunto" aos "desafios" que a ascensão económica, política e militar da China "coloca à segurança" mundial.

A China está a aproximar-se de nós. Vemos a China no espaço cibernético, vemos a China em África, mas também vemos a China investindo fortemente na nossa própria infraestrutura crítica. Sabemos que a China não compartilha os nossos valores, mas precisamos responder juntos como uma aliança", disse, ainda.

Os chefes de Estado e de governo da NATO estão reunidos, esta segunda-feira, em Bruxelas para “reforçar o laço transatlântico”, abordar os desafios criados por China e Rússia, e projetar o futuro da Aliança num mundo de “competição global”.

Na primeira cimeira com a participação do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) irão abordar o processo de reflexão NATO 2030, que visa projetar o futuro da Aliança e desembocar na revisão do atual conceito estratégico da NATO.

Neste âmbito, o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, deverá apresentar aos restantes líderes um conjunto de propostas que incluem o fortalecimento das consultas políticas na NATO, um maior financiamento conjunto das operações militares e o incremento da resiliência das infraestruturas e das cadeias de valor dos Aliados.

Além do processo de reflexão NATO 2030, os aliados irão também abordar temas ‘quentes’ da atualidade, e nomeadamente as “implicações em termos de segurança da ascensão da China” e o “comportamento agressivo da Rússia”.

Na conferência de imprensa de antevisão da cimeira, que decorreu na sexta-feira, Stoltenberg salientou que o mundo se encontra atualmente numa fase de “competição global”, devendo a NATO responder a “muitas ameaças e desafios ao mesmo tempo”.

Elencando os diferentes desafios, Stoltenberg destacou nomeadamente a “Rússia e a China, que desafiam a ordem internacional baseada em regras”, mas também a “ameaça contínua do terrorismo”, e as “ameaças sofisticadas” provocadas por “ciberataques, tecnologias disruptivas e alterações climáticas”.

No que se refere aos ciberataques, o secretário-geral manifestou a esperança de que os aliados cheguem a acordo sobre uma “nova política de ciberdefesa para a NATO” que reconheça que o “ciberespaço é constantemente contestado”.

A cimeira decorre numa altura em que Joe Biden, contrariamente ao seu predecessor, Donald Trump, tem sublinhado a importância das alianças para a sua administração, tendo mostrado o desejo de “reconstruir e restabelecer” as parcerias dos Estados Unidos, “a começar pela NATO”.

Catarina Machado