O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou esta quinta-feira que decidirá se vai continuar as difíceis negociações comerciais pós-Brexit com a União Europeia (UE), em função dos "resultados" do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira.

Esta posição surge na sequência de um contacto com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que dizem estar dispostos a "trabalhar" para obter um acordo pós-Brexit com o Reino Unido, "mas não a qualquer preço".

"É preciso que as condições sejam justas no que diz respeito à pesca, as condições de concorrência equitativas, e os mecanismos de governação. Ainda há muito trabalho diante de nós", escreveu a responsável na rede social Twitter, após um contacto telefónico com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que participou na conversa, exigiu, por seu turno, "avanços" nas negociações.

Num comunicado divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro britânico, após a conversa com os responsáveis da UE, Boris Johnson ficou satisfeito com o desejo de um acordo, "mas dececionado ao ver que não houve avanços após duas semanas de negociações".

"O primeiro-ministro diz que vai esperar impacientemente os resultados do encontro europeu", na quinta-feira, "antes de apresentar as próximas etapas para o Reino Unido, à luz da declaração que fez a 7 de setembro", acrescenta o gabinete no comunicado.

Nesse dia, Boris Johnson tinha manifestado a vontade de concluir um acordo até ao encontro do Conselho Europeu, a 15 de outubro, data considerada por Londres como o prazo para chegar a um acordo pós-Brexit.

Os dois dirigentes tinham discutido por videoconferência no início do mês, concordando em prolongar e intensificar as negociações. 

"Não faz sentido pensar em prazos posteriores", insistiu, na altura: "Se não chegarmos a um acordo até lá, não vejo a possibilidade de um acordo de comércio livre entre nós".

O Brexit será evocado na quinta-feira, depois do meio-dia, pelos dirigentes da UE, que para já, veem "com preocupação", que os progressos realizados entre os interlocutores "não são ainda suficientes", segundo um documento a que a agência France Presse teve acesso.

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