O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que Espanha vai a eleições a 28 de abril. A informação de que o chefe de Governo ia convocar eleições para essa data já tinha sido avançada pelo El País.

"Anuncio que propus a dissolução das Câmaras e a convocação de eleições gerais para dia 28 de abril", anunciou o primeiro-ministro em conferência de imprensa.

Pedro Sánchez justificou o seu anúncio porque “entre não fazer nada”, continuando a governar com o orçamento do chefe do Governo anterior, Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP, direita), e “dar a palavra aos espanhóis”, prefere a segunda opção.

A decisão foi anunciada depois de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros do Governo minoritário do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), que durou uma hora.

Com esta data, Sánchez evita um superdomingo: a coincidência das eleições gerais com as eleições municipais, regionais e as europeias, previstas para 26 de maio, a outra data em cima da mesa.

Eleições foram convocadas depois do Orçamento de Estado espanhol ter sido chumbado no congresso. O orçamento foi chumbado com 191 votos a favor, 158 contra e uma abstenção.

A atual legislatura, que terminará em 5 de março próximo, depois de o jornal oficial do Estado publicar a dissolução das Cortes e a convocatória de eleições em 28 de abril, terá 959 dias de duração, a quarta mais curta da democracia espanhola.

PP “conseguiu que o Governo de Sánchez atirasse a toalha ao chão”

O líder do principal partido da oposição espanhola, Pablo Casado, do Partido Popular (direita), defendeu em Madrid que foi a sua formação que obrigou o Governo socialista minoritário a “atirar a toalha ao chão”.

O PP “conseguiu, como oposição, que o Governo de [Pedro] Sánchez atirasse a toalha ao chão”, disse Pablo Casado em conferência de imprensa, poucos minutos depois de o chefe do executivo espanhol ter anunciado a convocação de eleições legislativas para 28 de abril próximo.

O presidente do PP afirmou estar “muito contente” e criticou a “instrumentalização” que o primeiro-ministro tentou fazer com os jornalistas ao falar como se tivesse num “meeting”, durante mais de 40 minutos, para só em seguida anunciar a data da ida às urnas.

Para Pablo Casado, a convocação de eleições antecipadas foi possível porque o PP apanhou o executivo “a negociar” com os independentistas catalães, e nas urnas os espanhóis terão de escolher se querem um Governo “que negoceia com” os separatistas ou com o PP, que irá fazer com que Madrid volte a intervir na Catalunha.

Podemos assegura que é o partido mais capaz para enfrentar a direita

O partido espanhol de extrema-esquerda Podemos, que apoia o Governo de Pedro Sánchez, assegurou em Madrid que é o mais capaz para enfrentar a direita nas eleições de 28 de abril próximo.

Numa conferência de imprensa, depois de o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, ter convocado eleições antecipadas para o último domingo de abril, a número dois do Podemos, Irene Montero, sublinhou que o “voto útil” na sua formação irá permitir barrar o caminho à direita e garantir a continuação do diálogo com os independentistas catalães.

Montero defendeu que o líder do Podemos, Pablo Iglesias, é o único dirigente político a quem não irão “tremer as pernas” no confronto com os “poderosos”, enquanto o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) já demonstrou a sua debilidade.

O Podemos é o partido mais importante da coligação de extrema-esquerda Unidos Podemos que assegurava, no parlamento, um apoio essencial ao executivo socialista minoritário espanhol.

Por outro lado, o líder do Cidadãos (direita liberal), Albert Rivera, defendeu que a convocação de eleições significa que hoje é um “grande dia” e aplaudiu o fim da “escapada de Sánchez”, que conseguiu ser chefe do Governo durante mais de oito meses.

“Poderemos ir finalmente votar num novo primeiro-ministro e numa nova maioria”, disse Rivera, ao mesmo tempo que insistiu na boa notícia de “se devolver a voz ao povo espanhol”.