Pelo menos 49 pessoas morreram e 48 ficaram feridas no ataque a duas mesquitas na Nova Zelândia. A polícia neozelandesa, que procedeu à desativação de explosivos num carro no centro da cidade de Christchurch, deteve três homens e uma mulher, um dos homens um australiano.

Os 48 feridos, entre eles crianças, estão hospitalizados devido a ferimentos a bala no hospital de Christchurch. Cerca de dez tiveram de ser operados de urgência no hospital depois do ataque.

Os ferimentos variam de graves a leves”, disseram num comunicado as autoridades de saúde em Canterbury, a região onde a cidade de Christchurch está localizada.

As mesmas fontes acrescentaram que outros pacientes foram encaminhados para outros centros da comunidade. As autoridades de saúde afirmaram que cerca de 200 pessoas estão no hospital à espera de notícias sobre os familiares.

Os ataques, com início às 13:40 (00:40 em Lisboa), resultaram num total de 49 mortos, 41 vítimas foram mortas no tiroteio na mesquita de Al Noor, enquanto outras sete foram mortas na mesquita de Linwood e uma outra pessoa foi declarada morta no hospital.

De acordo com a primeira-ministra, Jacinda Arden, que classificou o sucedido como um ataque terrorista, os ataques foram planeados durante bastante tempo. O nível de ameaça à segurança nacional foi elevado de baixo para alto.

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, revelou que um dos quatro detidos após o ataque a duas mesquitas da Nova Zelândia é um cidadão australiano. Um homem que se identificou como Brenton Tarrant, de 28 anos nascido na Austrália, reivindicou a responsabilidade pelos disparos e transmitiu em direto na Internet o momento do ataque.

Brenton Tarrant deixou um manifesto anti-imigrantes de 74 páginas, no qual procurou justificar as ações. A rede social Twitter suspendeu a conta no nome de Brenton Tarrant. A rede social Facebook informou que apagou as imagens que foram transmitidas em direto naquela plataforma, bem como cancelou todas as contas do presumível agressor. A Google, que detém a plataforma de partilha de vídeos YouTube também informarou que estão a trabalhar para apagar os vídeos do ataque disponíveis nos respetivos sites.

Scott Morrison adiantou que as autoridades australianas estão a ajudar na investigação e que os australianos ficaram chocados e indignados com o ataque, descrevendo o atirador como "um extremista de direita e um terrorista violento". No Twitter, partilhou uma fotografia da bandeira da Nova Zelândia a meia-haste.

O comissário de polícia da Nova Zelândia, Mike Bush, adiantou que a polícia desativou uma série de engenhos explosivos improvisados encontrados num veículo após o tiroteio numa das mesquitas. Afirmou ainda que “um homem foi acusado de homicídio” e vai ser presente a tribunal pelos ataques.

A primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern disse que é este "um dos dias mais negros da Nova Zelândia", após tiroteios em duas mesquitas que causaram várias mortes na cidade de Christchurch.

Um ato de violência sem precedentes que não tem lugar na Nova Zelândia", segundo Arden, que afirmou não poder precisar o número de vítimas mortais, mas que confirmou que a polícia tem uma pessoa sob custódia relacionada com os incidentes que se desenrolaram "em diversos locais".

Numa conferência de imprensa, a primeira-ministra disse que muitas pessoas afetadas podem ser migrantes ou refugiadas "que escolheram fazer da Nova Zelândia a sua casa".

Esta é a sua casa. Elas são nós. A pessoa que perpetuou essa violência contra nós não é", frisou.

A polícia neozelandesa aconselhou as pessoas a não se deslocarem a qualquer mesquita no país e para permanecerem dentro de suas casas.

Christchurch é a maior cidade da Ilha Sul da Nova Zelândia e a terceira maior cidade do país com cerca de 376.700 habitantes, localizada na costa leste da ilha e a norte da península de Banks. É a capital da região de Canterbury.

Como tudo aconteceu, segundo o direto

A transmissão na Internet começou quando o atirador se dirigiu à mesquita de Al Noor, quando estacionou o seu carro numa entrada próxima, descreveu o jornal New Zeland Herald.

O atirador afastou-se da mesquita, efetuando vários disparos contra um veículo.

A carrinha bege continha um esconderijo de armas e munições no banco do passageiro dianteiro, bem como recipientes com gasolina.

O indivíduo armou-se e entrou na mesquita, atingindo a sua primeira vítima na porta de acesso à mesquita.

O atirador estava armado com pelo menos uma arma de fogo semiautomática.

Uma vez no interior, começou a atirar indiscriminadamente. Uma segunda vítima, depois de ter sido atingida, ainda tentou fugir no corredor principal, mas foi baleada várias vezes mais.

As pessoas, encolhidas nos cantos de uma sala, foram todas baleadas quando o atirador bloqueou o corredor, cortando a tentativa de alguém de escapar.

O atirador deslocou-se a vários espaços da mesquita, disparando repetidamente, parando várias vezes para recarregar.

Acabou por sair da mesquita pela porta da frente - depois de pouco menos de três minutos no interior e dirigiu-se para a rua -, disparando tiros aleatórios à passagem dos carros.

O homem regressou à viatura para obter mais munições. Voltou a entrar na mesquita para verificar se ainda existiam sobreviventes e começou a atirar novamente contra as pessoas que se encontravam imóveis.

Quando saiu da mesquita pela segunda vez, atirou repetidamente numa mulher que passava na rua.

Entrou no carro e abandonou o local, sem que antes disparasse contra um veículo que se colocou no seu caminho.

O vídeo de 17 minutos termina quando o atirador sai do local em alta velocidade.