As autoridades do Reino Unido anunciaram esta segunda-feira a retirada de Portugal da lista vermelha de restrições de voos a partir do dia 19 de março.

A decisão foi comunicada através do site do governo britânico que indica que a eliminação das restrições de voo entra em vigor a partir das 04:00 da manhã hora local.

O levantar das suspensões de circulação entre os territórios abrange Portugal continental, juntamente com a Madeira e os Açores.

Na prática, os viajantes de Portugal vão poder realizar o isolamento profilático em casa, em vez de pagarem 1.750 libras por um hotel (2.038 euros).

Portugal é o único país europeu numa lista de países africanos e sul-americanos cujas viagens para o Reino Unido estão proibidas para reduzir o risco de importação de variantes do novo coronavírus mais infecciosas e resistentes às vacinas, como aquelas descobertas no Brasil e África do Sul.  

A medida foi introduzida a 15 de fevereiro, mas o Reino Unido já tinha suspendido os voos diretos de Portugal a 15 de janeiro, medida que Portugal reproduziu a 23 de janeiro.

A notícia surge no mesmo dia em que o Governo português decidiu prolongar a suspensão de todos os voos, comerciais ou privados, de e para o Brasil e Reino até 31 de março.

Na origem desta decisão estão as novas estirpes do SARS-CoV-2 detetadas nestes países.  

Assim, tal como no anterior período de estado de emergência, são apenas permitidos "voos de natureza humanitária, para repatriamento de cidadãos nacionais, da União Europeia e de países associados ao Espaço Schengen, e seus familiares, bem como de cidadãos nacionais de países terceiros com residência legal em território nacional". 

Saída de Portugal de ‘lista vermelha’ britânica é “extremamente positiva”, afirma MAI

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, defendeu que a saída de Portugal da ‘lista vermelha’ britânica é “algo extremamente positivo”, sendo o “reconhecimento” do “caminho” que Portugal tem feito “nas últimas semanas”.

É naturalmente algo extremamente positivo porque não havia um fundamento para essa inclusão de Portugal nessa lista”, defendeu Eduardo Cabrita.

O ministro da Administração Interna falava aos correspondentes portugueses em Bruxelas após ter presidido ao Conselho ‘Jumbo’, uma reunião que juntou os ministros dos Assuntos Internos e dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), e que se dedicou à dimensão externa do fenómeno migratório.

Frisando que Portugal tem hoje “indicadores particularmente reduzidos de incidência” no que se refere à situação pandémica, Eduardo Cabrita sublinhou que o país precisa de “prosseguir o esforço de consolidação desses resultados” e manter-se-á “atento” ao risco da variante detetada no Reino Unido e ao “seu impacto na Europa”.

Mas, obviamente para Portugal, essas decisões, quer a decisão alemã de sexta-feira passada, quer esta decisão britânica, são o reconhecimento do caminho que, coletivamente, temos vindo a fazer nas últimas semanas”, apontou.

Hoteleiros algarvios cautelosos com retirada de Portugal da "lista vermelha" britânica

Os hoteleiros algarvios mostraram-se cautelosos em relação às consequências para o Algarve da decisão do Governo britânico em retirar Portugal da “lista vermelha” de países cujos viajantes estão sujeitos a quarentena em hotéis no Reino Unido.

Ainda é muito cedo, vamos esperar para ver. Essa lista vermelha diz respeito apenas às pessoas que regressem ao Reino Unido, onde o desconfinamento só acontece a 17 de maio”, disse à Lusa o presidente da Presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).

Para Elidérico Viegas a decisão vai beneficiar acima de tudo “quem trabalha em Inglaterra e quer regressar ao seu país” e, eventualmente, quem tenha "uma segunda residência” no Algarve, recordando que Portugal “ainda não recebe voos do Reino Unido”.

Henrique Magalhães Claudino / Atualizada às 21:03 com Lusa