As reações ao "terrível incêndio" que devastou a catedral de Notre-Dame em Paris não deixou ninguém indiferente e as reações não tardaram em chegar. Um dos primeiros a reagir foi Donald Trump - que alertou que era preciso água para extinguir o fogo - e o mais recente Marcelo Rebelo de Sousa.

Numa missiva endereçada ao presidente francês, publicada no site da Presidência, Marcelo enviou um "abraço sentido" para o povo francês e lamentou a tragédia.

Caro Presidente Macron, meu Amigo:

Uma dor que nos trespassa o olhar e logo nos marca a alma, Paris sempre Paris ferida na sua Catedral em chamas, um símbolo maior do imaginário coletivo a arder, uma tragédia francesa, europeia e mundial.

De Lisboa um abraço sentido,

Marcelo Rebelo de Sousa”

O primeiro-ministro português, António Costa, também já transmitiu solidariedade ao Presidente francês, Emmanuel Macron, e à presidente da Câmara Municipal de Paris, Anne Hidalgo, pelo "terrível incêndio".

É um pouco da nossa história da Europa que desaparece sob as chamas", escreveu António Costa no Twitter.

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse que o incêndio na emblemática catedral francesa de Notre-Dame “é horrível de ver” e que “é preciso agir depressa”.

“É tão terrível de assistir a este gigantesco incêndio na catedral Notre-Dame de Paris, talvez se devesse usar bombardeamentos com água para extingui-lo, devemos agir rapidamente”, escreveu Donald Trump no Twitter.

A sugestão de Trump mereceu uma resposta das autoridades francesas. A Direção Geral da Segurança Civil explicou, através do Twitter, que não podiam usar água para extinguir as chamas porque isso destruiria o edifício histórico.

A queda de ar neste tipo de edifício poderia de facto levar ao colapso de toda a estrutura”, afirmou a instituição.

Também Melania Trump usou o Twitter para expressar o seu pesar pelo incidente, assim como o vice-presidente Mike Pence.

Os principais canais de televisão norte-americanos modificaram a sua programação para transmitirem imagens ao vivo do incêndio.

Também Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, se manifestou no Twitter, dizendo que toda a Europa está com Paris neste momento.

François Henri Pinault, marido da atriz Salma Hayek e um dos homens mais ricos de França, prometeu doar 100 milhões de euros para ajudar a recuperar a catedral, escreve o Le Figaro.

Eu e o meu pai - François Pinault - decidimos desbloquear uma verba de 100 milhões de euros para ajudar na reconstrução completa da Catedral de Notre-Dame", disse François-Henri Pinault.

Nas redes sociais, também Michelle Obama mostrou a sua solidariedade para com os franceses.

A grandeza de Notre-Dame - história, arte e espiritualidade - tirou-nos o fôlego e ensinou-nos quem somos e quem podemos ser", escreveu a mulher de Barack Obama sobre o monumento histórico. A ex-primeira-dama dos Estados Unidos compartilha "a dor dos franceses". "Eu sei que Notre-Dame nos vai surpreender novamente em breve".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou-se “horrorizado” com as imagens do incêndio, “uma joia única do Património Mundial”.

A primeira ministra britânica, Theresa May, disse que os seus “pensamentos estão com a população francesa” e do Vaticano chegou também uma mensagem de “incredulidade” e de “tristeza”.

“Cenas comoventes da catedral de Notre-Dame em chamas. Londres está hoje na tristeza com Paris, e na amizade sempre”, disse o presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês) também se afirmou “ao lado da França para salvar e restaurar o património inestimável” que é a catedral de Notre-Dame, disse a diretora-geral, Audrey Azoulay.

Inscrita como Património Mundial da Humanidade desde 1991, a catedral gótica foi construída na Ilha de França, em pleno centro de Paris. Em cada ano é visitada por cerca de 13 milhões de pessoas.

O incêndio propagou-se muito rapidamente e alastrou pelo sótão da catedral, disseram os bombeiros, referindo-se a um “fogo difícil”.

As chamas começaram supostamente ao nível dos andaimes instalados no telhado do edifício, construído entre os séculos XII e XIV.

“Tudo está em chamas. Da estrutura que data do século XIX de um lado e a estrutura do século XIII do outro não resta mais nada”, disse André Finot, porta-voz da catedral, citado pela agência de notícias AFP.

O porta-voz da Conferência Episcopal de França também lamentou que tenha ardido “um lugar cimeiro da fé católica”.

O presidente francês cancelou uma comunicação que ia fazer esta noite sobre a crise dos “coletes amarelos”, um movimento de contestação que dura há cinco meses em França, e o discurso já gravado ficou adiado, sem nova data de transmissão.

Macron deslocou-se para o local do incêndio, estando também na zona da catedral o primeiro-ministro, Edouard Philippe.

Uma multidão juntou-se esta tarde em locais perto do monumento, apesar das cinzas e de pequenos pedaços de material a arder que caíam do céu, tapando a cara com lenços para se proteger do fumo, segundo um jornalista da AFP. “Ela tem mil anos”, dizia calmamente um homem à filha, de 10 anos.

A presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, lamentou o “terrível incêndio”, enquanto milhares de parisienses também denotavam tristeza com a destruição de um monumento que faz parte do ADN de Paris e de França, de acordo com a AFP.

As imagens do incêndio foram transmitidas em direto pela televisão, incluindo a queda do pináculo, erguido sobre os quatro pilares do transepto que tinha 93 metros de altura.