Os talibãs iniciaram este domingo de manhã a ofensiva na capital do Afeganistão.

Cabul, a única grande cidade nas mãos do Governo, está rodeada pelos talibãs, que têm ordens para não entrar à força, segundo um porta-voz dos insurgentes, porque estará a ser negociada uma transição de poder.

O ministro do Interior afegão confirma que o presidente já deixou o país, dirigindo-se para o Tajiquistão. Cai assim a ideia do governo afegão em transferir o poder para uma "administração de transição".

O ex-ministro do Interior afegão pode ser o escolhido para liderar administração interina, diz a Reuters. Ali Ahmad Jilali é um académico a viver nos Estados Unidos.

A situação é de pânico em Cabul, com as autoridades afegãs a pedirem a todos os funcionários que abandonem os seus postos de trabalho e vão para casa, enquanto lojas e bancos estão encerrados e o trânsito paralisado por fortes engarrafamentos.

Trabalhadores em pânico abandonaram os gabinetes governamentais e helicópteros começaram a aterrar na Embaixada dos Estados Unidos, à medida que os militantes apertavam mais o seu controlo sobre o país.

Três oficiais afegãos disseram à agência Associated Press que os combatentes estavam nos distritos de Kalakan, Qarabagh e Paghman, na capital.

Os talibãs entraram esta manhã na cidade de Jalalabad sem combater e a província foi-lhes entregue sem luta, como resultado da mediação dos líderes", disse à agência espanhol, Efe, um funcionário do Governo da província de Nangarhar, da qual Jalalabad é a capital, pedindo anonimato.

Ministro prometeu transição pacífica de poder

O ministro do Interior afegão, Abdul Sattar Mirzakwal, afirmou que uma "transferência pacífica de poder" para um governo de transição terá lugar no Afeganistão, onde os talibãs estão prestes a assumir o controlo total do país.

Os afegãos não devem preocupar-se (...) Não haverá nenhum ataque à cidade [de Cabul]. E haverá uma transferência pacífica de poder para um governo de transição", disse Mirzakwal numa mensagem de vídeo.

Após este avanço relâmpago sobre a capital, os talibãs rejeitam declarar cessar fogo e admitem deixar sair da cidade quem o queira fazer por sua iniciativa.

O grupo ordenou aos combatentes que reprimissem a violência,  permitissem a passagem de qualquer pessoa que pretenda sair e pediram às mulheres para que se dirijam para áreas protegidas.

Os talibãs receberam ordens para permanecerem às portas de Cabul e não entrar na capital afegã, apesar de os insurgentes terem sido já avistados por residentes em subúrbios.

"O Emirado Islâmico ordena a todas as suas forças que esperem às portas de Cabul, que não tentem entrar na cidade", disse no Twitter Zabihullah Mujahid, um porta-voz dos talibãs.

Há combatentes talibãs armados na nossa vizinhança, mas não há combates", disse à AFP um residente de um subúrbio oriental da capital.

"Situação está sob controlo", diz presidente afegão

Momentos após o cerco, o gabinete do palácio presidencial afegão confirmou, através do Twitter, que "em várias áreas remotas de Cabul foram ouvidos disparos".

Houve tiroteios esporádicos em Cabul, Cabul não foi atacada, as forças de segurança e defesa do país estão a trabalhar em conjunto com parceiros internacionais para garantir a segurança da cidade, a situação está sob controlo”, escreve na rede social.

Em apenas dez dias, os talibãs tomaram o controlo da maior parte do país e chegaram às portas de Cabul. No sábado à noite, os talibãs tinham tomado Mazar-i-Sharif, a quarta maior cidade afegã e o principal centro urbano do norte do país. 

Para além de Cabul, um punhado de cidades mais pequenas ainda estão sob controlo governamental, mas, dispersas e isoladas da capital, já não possuem muito valor estratégico. Já este domingo tinha sido anunciada a tomada de Jalalabad.

Autoridades dos Estados Unidos adiantaram que os diplomatas estariam a ser transportados para o aeroporto da embaixada no forte Wazir Akbar Khan. Foram enviadas mais tropas americanas para ajudar na evacuação.

Rafaela Laja / atualizada as 15:19