Continuam os protestos e as barricadas na Catalunha, em protesto às condenações dos dirigentes políticos independentistas, dando continuidade ao "ciclo de desobediência civil" prometido pelos manifestantes quando desmobilizaram ao final da noite de segunda-feira.

Esta terça-feira, de acordo com o jornal La Vanguardia, estudantes da Universidade de Lleida fecharam a reitoria da universidade e, em Tàrrega, a cerca de 50 quilómetros, mais de 200 estudantes cortaram a estrada C-14 por mais de 40 minutos. Em Cassà de la Selva, está cortada a C-65 (PK 22), a C-17 e a C-25 em Gurb, e a N-141e em Bescanó.

Em Rodalies, a queima de pneus e lixo obrigou a corte do tráfego ferroviário na linha R3 de Rodalies de Catalunha. Foram ainda cortadas as duas vias de Alta Velocidade em Girona por danos provocados pela queima de objetos.

Já nos aeroportos de Baleares e de Barcelona continua o caos, com os protestos a obrigarem as companhias a cancelarem voos entre os dois aeroportos. Só esta terça-feira, a companhia aérea Vueling foi obrigada a cancelar seis voos por causa das manifestações.

Esta manhã, a Assembleia Nacional Catalã convocou a população para sair à rua pelas 19:00 nas delegações do governo de Barcelona, Girona, Lleida, Tarragona, Vic, Tortosa, Terrassa, Puigcerdà, Girona e Igualada.  

Protestos fizeram 131 feridos

Os protestos independentistas de segunda-feira na Catalunha provocaram ferimentos em 131 pessoas, 27 das quais foram assistidas em hospitais, de acordo com o Serviço de Emergência Médica.

No aeroporto de El Prat, onde se registaram os confrontos mais violentos, ficaram feridas 115 pessoas, 91 das quais assistidas no local e 24 foram transportadas para o Hospital de Bellvitge, uma delas com uma lesão ocular. De acordo com a imprensa, a polícia catalã teve mesmo de usar balas de borracha para desmobilizar a multidão, causando ferimentos em algumas pessoas.

Oito pessoas ficaram feridas nas manifestações da capital da região autónoma da Catalunha, tendo uma delas sido assistida num centro hospitalar.

Os restantes sete foram tratados na rua pelos Serviços de Emergência Médica.

Em Lleida, três pessoas sofreram ferimentos e em Reus (Tarragona) uma pessoa foi socorrida pelos serviços médicos.

Em Maçanet de la Selva (Girona) quatro pessoas foram assistidas pelas equipas médicas que se encontravam no local das manifestações.

Puigdemont junta-se a manifestantes junto à sede da Comissão Europeia

As manifestações e os confrontos, em vários pontos da Catalunha, prolongaram-se até à noite de segunda-feira e começaram logo após o Tribunal Supremo ter decretado as condenações aos dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até 13 anos de prisão.

Puigdemont, que se encontra na Bélgica fugido à Justiça espanhola após liderar a tentativa de secessão da Catalunha em 2017, afirmou que os independentistas precisam "de todo o apoio dos democratas europeus, porque essa crise diz respeito à democracia europeia" e à qualidade da mesma, acrescentando não se tratar de "uma questão catalã, regional ou espanhola".

Um juiz espanhol emitiu uma nova ordem de detenção internacional para o ex-presidente do executivo regional e os seus colegas disseram que ele está disposto a cooperar com a polícia belga e as autoridades.

Tal como Puigdemont, também outros representantes da Catalunha que fogem da Justiça espanhola exigem o fim do silêncio das instituições internacionais para que as mesmas ajudem a criar um diálogo entre o Governo espanhol e as autoridades pró-independência catalãs.

PCP defende anulação das condenações e libertação dos dirigentes políticos

O Partido Comunista Português considerou que a condenação dos dirigentes catalães envolvidos na tentativa de independência da Catalunha “tenderá a agravar o problema” e, por isso, defendeu a “anulação das condenações” e a sua libertação.

O Tribunal Supremo espanhol condenou na segunda-feira, em Madrid, os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, no caso do ex-vice-presidente do governo catalão.

Num comunicado enviado às redações, os comunistas advogam que “tal decisão, inserindo-se na linha de recurso à coação, à repressão e à judicialização face à complexa questão nacional em Espanha, não só não contribui para o encontrar de uma solução política, como tenderá a agravar o problema”.

Na ótica do PCP, “a questão nacional em Espanha deve ser considerada com a complexidade que a história e a atual realidade daquele país encerram”.

Assim, defende o partido, esta situação “só poderá ser justa e adequadamente superada no quadro de uma solução política, no respeito pela vontade dos povos de Espanha e, consequentemente, da vontade do povo catalão, e da salvaguarda dos direitos sociais e outros direitos democráticos destes povos, solução que implica necessariamente a anulação das condenações e a consequente libertação”.

A instrumentalização de sentimentos nacionais, a escalada de factos consumados, a ausência de uma solução política, não podem servir para iludir as responsabilidades de todos quantos têm promovido uma política com graves consequências sociais – seja em Espanha, seja na Catalunha – e para a promoção de valores reacionários e de setores fascistas franquistas, que durante dezenas de anos oprimiram os povos de Espanha”, sublinha o comunicado.

Andreia Miranda / com Lusa