As autoridades espanholas esclarecem que o bebé de dois anos que caiu dentro de um furo de captação de água ainda não foi localizado. Apenas foram localizados vestígios biológicos que permitem ter certezas de que o pequeno Julen está mesmo dentro do poço. Foi a localização desses vestígios que induziu em erro alguns profissionais no terreno.

É o caso do presidente da Federação Andaluza de Espeleologia, Jose Antonio Berrocal, que tinha confirmado à TVI24, no local, que a criança tinha sido localizada através de um georadar..

"As respostas do georradar são volumétricas e parece que sim [foi encontrado ], até pela matéria biológica que foi encontrada. Se a criança está a uns 80 metros de profundidade, ainda há 20 ou 25 metros debaixo dele. O menino está num tanque de ar que está selado por cima, mas por debaixo tem ar. Portanto, há a possibilidade que haja oxigénio suficiente para muitas horas. Por toda a situação, há uma certa esperança de que o menino esteja em condições favoráveis e que as equipas tenham estas 48 horas que precisam para chegar até ele", afirmou Jose Antonio Berrocal à TVI24.

Esta quarta-feira, as equipas de resgate tinham encontrado cabelo da criança, uma descoberta que deitou por terra a teoria de que o menino poderia não estar no poço.

O bebé de dois anos caiu ao furo de prospeção de água às 14:00 de domingo e, desde então, uma centena de pessoas participam da operação de resgate da criança.

O dispositivo empenhado nas buscas é composto por membros dos Bombeiros de Málaga (CPB), da Guardia Civil - incluindo a Equipa de Resgate e Intervenção de Montanha -, o Grupo de Especialidades Subaquáticas (GEAS), a Polícia Nacional e local, a Empresa Pública de Emergências Sanitárias (EPES), o Grupo de Intervenção Psicológica em Emergências e Desastres (Giped) do Colégio de Psicólogos de Andaluzia, técnicos do centro de coordenação de emergências de Málaga, oito membros da Brigada Central de Salvamento Mineiro de Hunosa, e um técnico da empresa Stockholm Precision Tools AB que localizou, em agosto de 2010, os 33 mineiros que ficaram presos numa mina no Chile.

Segundo o coronel da Guardia Civil em Málaga, Jesús Esteban, mais de 60 empresas de todo o mundo ofereceram ajuda para as buscas e, atualmente, estão 12 equipas na zona que trabalha sob a supervisão de uma equipa cordenada pelo Colégio de Engenheiros.

"Estamos mortos"

Esta quarta-feira de manhã, o pai de Julen falou pela primeira vez frente às câmaras, agradecendo a todos os que o têm apoiado, quer às autoridades, quer às empresas, e deixou um apelo: "Que não parem os trabalhos até que se tire o menino dali de dentro".

"Quero agradecer a todos pelo apoio que nos estão a dar (...) Sei que estão a trabalhar sem parar para tentar encontrar Julen. Se fiz alguma queixa, foi para que tivessem mais meios. Infelizmente, a maquinaria que temos agora, não a tivemos no primeiro momento", afirmou José Rosello, ladeado por Juan José Cortés, pai de Mariluz, a menina que desapareceu e foi assassinada em 2008 em Huelva.

Apesar de já terem passado quase 72 horas desde o acidente, José garante que continua com a "esperança" de que o filho esteja vivo. 

"Temos a esperança de que não está morto, mas nós estamos. Parece que estamos aqui há meses. Está a ser eterno. A minha mulher está desfeita. Estamos mortos, mas com a esperança de que temos um anjo que nos vai ajudar a que o meu filho saia daqui o mais rápido possível", acrescentou José, dizendo que se mantém forte por "saber" que vai ver o "filho com vida".

Sobre os restos biológicos encontrados pela manhã, José garantiu que "para muitos pode ter sido uma surpresa", mas para eles "não é": "Já o sabíamos".