A Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original) insiste que os benefícios da vacina da AstraZeneca contra a covid-19 "superam os riscos", depois de registados "episódios raros" de trombose entre "milhões" de pessoas vacinadas na Europa, que levaram à suspensão da administração desta vacina em grande parte dos Estados-membros, incluindo Portugal.

Em conferência de imprensa online nesta terça-feira, desde Bruxelas, para fazer um ponto da situação sobre potenciais efeitos secundários da vacina desenvolvida pela farmacêutica anglo-sueca em parceria com a Universidade de Oxford, a diretora executiva do regulador europeu, Emer Cooke, disse estar "firmemente convencida" de que os "benefícios superam os riscos dos efeitos secundários" e que as reações adversas registadas podem ser "uma coincidência", uma vez que este é um sintoma relativamente comum entre a população geral, inclusive maior entre aqueles que não tomaram a vacina, ainda que não possa ser excluído o facto de poder tratar-se de uma causa-efeito.

Os benefícios continuam a superar os riscos, mas esta é uma preocupação séria que precisa de dados científicos concretos e de uma avaliação detalhada. É nisso que estamos envolvidos neste momento", afirmou.

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A posição final sobre a vacina da AstraZeneca vai ser comunicada na tarde de quinta-feira, indicou, ainda, Emer Cooke.

Uma situação como esta não é inesperada. Quando se vacinam milhões de pessoas, é inevitável que ocorram incidentes raros ou graves após a vacinação e o nosso papel é o de avaliar que todos os efeitos secundários são rapidamente investigados, se estão realmente ligados à vacina ou se são coincidência”, observou, numa posição igualmente partilhada por Peter Arlett, diretor de Farmacovigilância e Epidemiologia da EMA, também presente na videoconferência.

“Estatisticamente, o número de casos aponta para um efeito muito raro e nem sabemos ainda se há uma relação de causa e efeito com a vacina da AstraZeneca”, sublinhou Arlett.

Neste momento uma equipa de especialistas está a analisar "um a um" todos os casos registados de reações adversas, no sentido de apurar se há uma relação entre a vacinação e os coágulos, ou seja, "se os coágulos são resultado das vacinas ou de outras causas".

Emer Cooke lembrou que durante os ensaios foram registados coágulos tanto entre os voluntários que tomaram a vacina como entre os pacientes placebo.

Sobre o número de casos registados na Europa, o regulador disse que os últimos dados recolhidos remontam a 10 de março, quando foram sinalizados 30 casos entre cinco milhões de pessoas vacinadas, mas que este balanço está "desatualizado", uma vez que os "números evoluíram", pedindo, por isso, aos países para "detalharem o mais possível os casos notificados".

A responsável da Agência Europeia do Medicamento reiterou, igualmente, que "as vacinas aprovadas podem ser usadas com segurança".

Também o comité de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a segurança de vacinas reúne-se esta terça-feira para rever os dados sobre a vacina da AstraZeneca.

Catarina Machado