A Comissão Europeia exortou esta terça-feira os Estados-membros a utilizarem todas as doses de vacinas contra a covid-19 que têm ao seu dispor, pois “cada dose conta” e há países cuja taxa de utilização é de apenas 50%.

Na conferência de imprensa no final de uma videoconferência de ministros da Saúde da União Europeia (UE), dirigida desde Lisboa pela ministra Marta Temido, a comissária europeia Stella Kyriakides reportou-se também à decisão de vários Estados-membros de suspenderem a administração da vacina da AstraZeneca, apontando que a mesma é legítima, pois a vacinação é uma matéria da competência nacional, mas disse esperar que o parecer científico da Agência Europeia do Medicamento (EMA), aguardado para quinta-feira, ponha fim aos receios.

Independentemente desta questão, que tanto a comissária da Saúde como a ministra Marta Temido disseram esperar que seja ultrapassada em poucos dias, Stella Kyriakides deixou o apelo no sentido de os Estados-membros utilizarem plenamente as vacinas de que dispõem, desde logo porque “a situação continua extremamente alarmante em muitos Estados-membros” e “a vacinação é cada vez mais fundamental”.

Reconhecemos os desafios significativos e lamentáveis associados à produção e entregas, mas ainda assim exortamos os Estados-membros a utilizar todas as doses disponíveis, numa altura em que constatamos que a proporção de doses disponíveis utilizadas oscila entre os 50% e os 100% entre os Estados-membros”, declarou, observando que esta disparidade não é recomendável.

De acordo com Stella Kyriakides, os Estados-membros que estão mais atrasados nas campanhas de vacinação devem recuperar terreno, atendendo também a que é expectável que as entregas de novas vacinas aumentem nos próximos meses.

A comissária aproveitou a ocasião para rebater as críticas de alguns Estados-membros ao que dizem ser uma “distribuição injusta de vacinas”, recordando que o sistema adotado por Bruxelas “é o mesmo desde o início, em total transparência e por decisão comum dos 27 Estados-membros”, e contempla “uma distribuição sempre com base na população, a não ser que os Estados-membros decidam não receber a totalidade da sua alocação”.

Os Estados-membros podem sempre decidir regressar ao sistema de distribuição numa base ‘pro rata’”, apontou.

Quanto à questão concreta das dúvidas suscitadas em torno da vacina da AstraZeneca, cuja utilização foi suspensa por diversos Estados-membros, entre os quais Portugal, por precaução devido a casos de coagulação sanguínea em pessoas vacinadas, a comissária começou por reconhecer que “a segurança e confiança nas vacinas é crucial para a vacinação”.

Neste contexto, e relativamente à AstraZeneca, a EMA está atualmente a proceder a uma investigação à formação de coágulos sanguíneos”, disse, apontando que a apreciação preliminar do regulador europeu é a de que o número destes casos na população vacinada não parece ser maior do que na população global.

 

Mas, como sempre, vamos confiar totalmente na avaliação científica da EMA, que será divulgada na quinta-feira. A segurança para nós não é negociável”, asseverou.

/ HCL