A sobrinha de Choi Soon-sil, conhecida como a “Rasputina” e protagonista do escândalo de corrupção na Coreia do Sul, admitiu hoje em tribunal ter cooperado com a tia para chantagear a Samsung.

Chang Si-ho e Choi Soon-sil são acusadas de terem pressionado a Samsung para doar mais de 1.600 milhões de won (1,27 milhões de euros) ao Centro de Elite de Desportos de Inverno, que a própria Chang dirigia.

A sobrinha da “Rasputina” reconheceu diante do tribunal do distrito central de Seul as acusações, afirmando ainda ter desviado fundos do referido centro.

A declaração de Chang Si-ho acontece um dia depois de a procuradoria sul-coreana ter emitido uma ordem de detenção do responsável máximo do grupo Samsung, Lee Jae-yong, para que seja julgado num processo à parte, por ter acedido à extorsão supostamente orquestrada pela "Rasputina", amiga de longa data da Presidente sul-coreana, Park Geun-hye.

Na audiência desta terça-feira também esteve presente o ex-vice-ministro da Cultura e Desporto Kim Chong, o qual é acusado de cooperar na trama, alegadamente urdida por Choi. Kim negou em tribunal todas as acusações que lhe são imputadas.

O Ministério Público considera que Choi, com a conivência de Park, extorquiu os principais conglomerados do país para fazer entrar 77.400 milhões de won (cerca de 61 milhões de euros) em duas fundações que controlava, em troca de favores, acusando-a ainda de ter interferido em assuntos de Estado, apesar de não desempenhar nenhum cargo público.

Choi foi destituída do cargo a 9 de dezembro, mas essa decisão terá de ser ratificada pelo Tribunal Constitucional para ser definitiva. Assim sendo, o tribunal tem até junho para decidir se Park tem de abdicar permanentemente ou pode voltar a assumir o cargo.

Redação / AM