O nativo guerreiro Amoim Aruká, o último sobrevivente do exterminado povo indígena brasileiro Juma, morreu na quarta-feira aos 86 anos, vítima de covid-19, informaram esta quinta-feira fontes indigenistas.

Aruká morreu num hospital de Porto Velho, capital do estado amazónico de Rondônia (norte), onde estava internado desde 02 de fevereiro devido a complicações do novo coronavírus, de acordo com a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé.

O indígena octogenário havia sido transportado com problemas respiratórios para o Hospital Regional de Huamaitá, no estado do Amazonas, e, devido ao estado grave, foi posteriormente encaminhado para Porto Velho.

Segundo as informações da Associação, o corpo de Aruká será levado para Humaitá, onde será sepultado.

Há cinco décadas, o povo Juma tinha 15 mil membros, mas uma série de assassínios às mãos de invasores mineiros e fazendeiros, ataques de animais e doenças letais reduziram drasticamente a população para apenas quatro pessoas este ano.

Na ausência de homens na sua comunidade praticamente exterminada, as três filhas de Aruká casaram-se com membros do povo Uru-Eu-Wau-Wau e, assim, o seus netos deixaram de ter a linhagem pura dos Juma.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazónia Brasileira (COIAB) indicou, em comunicado, que apesar de esse povo ter sido dizimado no final do século XX, Aruká conseguiu em 2004 a demarcação das terras indígenas.

A reserva dos Juma, com Aruká, as suas filhas, netos e genros de outra tribo, era uma das terras amparadas pelas barreiras sanitárias para proteger as comunidades indígenas da pandemia de covid-19, mas o bloqueio não era totalmente eficaz, deixando-os vulneráveis ao vírus.

O Brasil, que está perto de dez milhões de casos confirmados e ultrapassou as 242 mil mortes pelo novo coronavírus na quarta-feira, regista 42.881 infeções e 567 mortes causadas pelo covid-19 entre os seus povos indígenas, segundo dados oficiais.

Uma das principais preocupações das autoridades é a vulnerabilidade dessas populações face a doenças respiratórias, o que aumenta o risco de agravamento em caso de contágio pelo novo coronavírus.

No momento em que o Brasil iniciou a vacinação contra a covid-19 de determinados segmentos dos povos indígenas, foram imunizados 164.592 nativos no primeiro mês da campanha, dos cerca de 410 mil indígenas adultos residentes em aldeias, considerados prioritários, de acordo com dados do Governo obtidos pelo portal de notícias G1.

Apesar da mobilização do Governo para vacinar os nativos em aldeias e reservas, entidades indígenas e associações de saúde argumentam que a campanha de imunização deve incluir também indígenas que vivem em áreas urbanas e que são igualmente vulneráveis.

De acordo com o Censo 2010, o Brasil conta com cerca de 900 mil indígenas, 0,47% da população total do país, de 305 etnias. Há 10 anos, o número de indígenas que viviam em áreas urbanas era de 324.834.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.430.693 mortos no mundo, resultantes de mais de 109,8 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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