A segunda pior epidemia do ébola já ceifou centenas de vidas nos últimos meses, na República Democrática do Congo (RDC), mas uma cura eficaz pode estar a caminho. A Organização Mundial de Saúde divulgou um estudo preliminar sobre uma potencial vacina, que tem apresentado 97,5% de eficácia contra o vírus.

No dia 15 de abril, a OMS anunciou que já 803 pessoas morreram com a doença e que foram registados 1.290 casos, desde que foi declarada a epidemia, em agosto de 2018. Mas há boas notícias: a análise preliminar da vacina experimental rVSV-ZEBOV-GP, contra o ébola, tem mostrado resultados impressionantes e pode salvar milhares de vidas.

Os dados presentes no documento foram recolhidos no período experimental da vacina, entre 1 de maio de 2018 e 25 de março de 2019. Segundo o IFLScience, a rVSV-ZEBOV-GP foi administrada em mais de 90 mil pessoas, 29 mil das quais profissionais de saúde. A estratégia, até agora, é apelidada de “vacinação em anel”, ou seja, apenas estão a receber vacinas as pessoas que apresentam maior probabilidade de serem contaminadas.

Segundo o estudo, das 93.965 pessoas vacinadas, apenas 71 contraíram o vírus. No mesmo período de tempo, 880 pessoas que não receberam vacinas foram infetadas com ébola.

A vacina também parece ser eficaz para prevenir a doença, que pode ser transmitida por contacto indireto, por exemplo, interagindo com uma pessoa que esteve perto de alguém doente.

Estes factos levaram os investigadores a afirmarem que a eficácia da vacina pode ser de 97,5%, o que significa que a epidemia pode ter os dias contados.

Mas há ainda melhores notícias: a vacina pode ser mesmo um tratamento eficaz para todos os que contraírem a doença. Segundo o documento, todas as pessoas que apanharam o vírus dez ou mais dias depois de terem sido vacinadas sobreviveram. Das 56 pessoas infetadas, que tinham sido vacinadas há menos de nove dias, nove morreram.

Isto pode significar que a vacina necessita de dez dias para proteger totalmente o paciente.

“O número total de mortos diminuiu em todas as pessoas vacinadas que desenvolveram ébola”, pode ler-se no documento.

A OMS vai continuar a estudar a eficácia da vacina e promete divulgar um relatório mais compreensivo sobre a sua eficácia, em breve.