Milhares de manifestantes pró-independência da Catalunha concentram-se esta sexta-feira em Barcelona para protestar contra a condenação pelo Tribunal Supremo espanhol dos 12 dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha em 2017.

Os manifestantes, organizados em cinco colunas de “Marcha pela Liberdade”, foram convocados pela Assembleia Nacional da Catalunha (ANC, organização cívica independentista), com o apoio do Òmnium Cultural (outra organização cívica independentista).

Todas as colunas de manifestantes chegaram a meio da tarde desta sexta-feira ao centro de Barcelona, onde começou entretanto uma marcha de manifestantes, no mesmo dia em que está convocada uma greve geral pela independência.

As marchas partiram de Girona, Vic (Barcelona), Berga (Barcelona), Tàrrega (Leda) e Tarragona e ao longo do percurso causaram cortes em pelo menos 20 estradas da Catalunha, algumas delas importantes, como a AP7 e a A2.

Também esta sexta-feira soube-se que a Guardia Civil encerrou por ordem da Audiência Nacional as páginas na Internet da iniciativa Tsunami Democràtic, que tem procurado mobilizar manifestantes para que protestem contra as sentenças aplicadas aos antigos líderes independentistas. A plataforma estará a ser investigada pela justiça por estar alegadamente por trás do movimento coordenado de protestos, incentivando à desobediência civil.

A AENA, entendidade responsável pela gestão dos aeroportos espanhóis, garante que a situação no aeroporto de Barcelona encontra-se, pelo menos, para já, a funcionar normalmente, mas a verdade é que as companhias aéreas já cancelaram 55 voos dos 1000 previstos e que existem centenas de passageiros prejudicados. No que toca às linhas ferroviárias, os serviços mínimos estão a ser assegurados e cumpridos. O mesmo se aplica no caso do metro e dos autocarros. 

O templo da Sagrada Família, em Barcelona, também foi obrigado a cancelar todas as visitas previstas para esta sexta-feira. Numa publicação na rede social Twitter, explicam que existe um grupo de manifestantes barricado junto à entrada para a basílica e que só vão abrir portas quando conseguirem garantir a segurança e a qualidade da visita. 

Até agora já foram detidas 16 pessoas, sendo que oito estão presas preventivamente, por distúrbios públicos e ataques contra agentes de autoridade. Há ainda registo de, pelo menos, 10 polícias feridos, de acordo com o último balanço feito por Fernando Grande-Marlaska, ministro do Interior em funções.

A Assemble Nacional Catalana pediu esta manhã a demissão de Miguel Buch, conselheiro no ministério regional do interior, que agendou uma conferência de imprensa para as 11:15 (horas locais, menos uma hora em Lisboa). Em causa está a ação policial contra os manifestantes durante os protestos.

Na última noite, repetiram-se os violentos confrontos entre manifestantes e polícia, dos quais resultaram 42 feridos e 19 detenções. 

A greve geral marcada para esta sexta-feira foi convocada pelos sindicatos independentistas Intersindical-CSC e Intersindical Alternativa de Catalunya (IAC), em protesto contra a condenação pelo Tribunal Supremo espanhol dos 12 dirigentes políticos.

A Unión General de Trabajadores (UGT) e a Confederación Sindical de Comisiones Obreras (CC.OO) demarcaram-se do protesto.

O Supremo Tribunal espanhol condenou, na segunda-feira, os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, desencadeando movimentos de protesto de grupos de independentistas em todo o território da comunidade autónoma espanhola mais rica.

Nas últimas noites as manifestações na Catalunha, e sobretudo em Barcelona, ficaram marcadas por confrontos entre grupos violentos e as forças de segurança.

Pelo menos 100 pessoas foram detidas e quase 200 agentes da polícia ficaram feridos desde o início dos protestos, anunciou quinta-feira o governo espanhol.