A Embaixada portuguesa em Cabo Verde anunciou que está para “breve” uma solução para repatriar as centenas de turistas portugueses que permanecem no arquipélago, afetados pela interdição de voos para conter a propagação da Covid-19.

De acordo com vários relatos de turistas feitos à Lusa, esta situação afeta sobretudo os portugueses que estavam de férias na ilha do Sal, hospedados em hotéis e com viagens canceladas essencialmente pela TAP.

“Após desenvolvidas várias diligências pelos governos português e cabo-verdiano, deverá ser em breve encontrada uma solução com vista a permitir o regresso a Portugal dos passageiros que adquiriam títulos de transporte antes da entrada em vigor da interdição de voos”, lê-se no comunicado.

Fonte diplomática portuguesa explicou anteriormente à Lusa que há entre 200 a 300 portugueses em várias ilhas de Cabo Verde, sobretudo no Sal e em Santiago (Praia), a aguardar viagem de regresso a casa.

Cabo Verde não registou até ao momento qualquer caso de Covid-19, provocada por um novo coronavírus, mas depende economicamente dos mais de 750 mil turistas que recebe anualmente. Contudo, desde hoje, por decisão do Governo cabo-verdiano, e pelo menos até 09 de abril, estão proibidas as ligações aéreas oriundas de 26 países, incluindo Portugal e Brasil.

“Somos cerca de 120 portugueses retidos na ilha do Sal. Neste momento não temos como regressar ao nosso país e ninguém nos dá informação ou qualquer apoio”, relatou durante a tarde, à Lusa, Mónica Pedrosa, explicando que no hotel onde estavam hospedados, que se prepara para encerrar, estão todos “à beira de ser despejados”.

“E não temos para onde ir, nem meios de subsistência”, afirmou a portuguesa, que viajou para o Sal para uma semana de férias com o marido.

Relato idêntico foi feito à Lusa por Jorge Ribeiro, de 41 anos, falando em “dezenas de turistas portugueses” que estão “sem previsão de regresso a Portugal”.

“Só aqui neste hotel estamos mais de 40 pessoas. E não há mensagem de esperança, estão a descartar as pessoas”, acusou.

De férias no Sal com a esposa desde 13 de março, devia deixar a ilha e regressar a Portugal na sexta-feira.

“Foram efetuadas diligências com os operadores turísticos, agência de viagens, embaixada portuguesa, Ministério dos Negócios Estrangeiros. Contudo não informam oficialmente como irá ser o repatriamento, alegando que nada sabem, acrescentando que tão pouco têm responsabilidade no repatriamento, empurrando a responsabilidade para as agências de viagens e respetivos seguros”, queixou-se.

Jorge Ribeiro fala mesmo em situações “de pânico e stresse” entre os portugueses retidos na ilha, face à falta de soluções para o repatriamento.

Também Diogo Costeira, de férias no Sal com a namorada e o irmão, foi apanhado pelo fecho de Cabo Verde às ligações com o exterior e ao relatar “aviões vazios” de outros países a chegar à ilha, para repatriamento de outros estrangeiros, não esconde a indignação: “Porque é que o Estado português não mantém os voos de regresso dos seus cidadãos?”.

“Quem irá assumir a responsabilidade, os custos de estadia e até quando iremos estar nesta situação precária?”, insistiu.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, infetou mais de 220 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 9.000 morreram.

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