Várias manifestações de "coletes amarelos", que pretendem perpetuar o movimento contra o aumento das taxas de combustível, interromperam hoje o trânsito automóvel e bloquearam as bombas de combustíveis em toda a França.

Segundo relatam os jornalistas da Agência France Presse (AFP), marchas lentas e bloqueios, alguns dos quais foram mantidos durante a noite, persistiam hoje de manhã nalgumas estradas periféricas pelo terceiro dia consecutivo de mobilização, marcado pelos primeiros bloqueios de postos de postos de abastecimento de combustível.

Mais de 400 pessoas ficaram feridas e uma pessoa morreu nos bloqueios organizados desde o fim de semana pelos "coletes amarelos" contra o aumento dos impostos dos combustíveis e a diminuição do poder de compra, segundo o Ministério do Interior francês.

Os protestos dos "coletes amarelos", numa referência aos coletes amarelos que todos os automobilistas devem ter nos automóveis para se tornarem visíveis, começaram no sábado de manhã.

Esta segunda-feira de manhã, dois postos de abastecimento de combustível foram bloqueados em Vern, perto de Rennes (oeste) e Fos-sur-mer (sudeste), "onde o acesso não está a ser permitido", disse o grupo Total à AFP, especificando que, por enquanto, as refinarias não foram afetadas.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, disse no domingo que vai manter "o rumo", apesar dos protestos dos manifestantes.

"Nós também manteremos o rumo e durará!", disse um dos manifestantes em Calais (norte).

"O movimento [hoje] não é excecional" e "obviamente não tem a mesma dimensão do de sábado", disse ao canal CNEWS o secretário de Estado do ministro do Interior, Laurent Nuñez, lembrando que as instruções para as forças da ordem eram para "intervir sempre que as vias estruturantes são bloqueadas ou há violência".

Mais de 10 mil camionistas portugueses afetados

Mais de 10 mil camionistas portugueses estão a ser afetados pelos protestos, disse à Lusa o presidente da Associação de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias.

“Hoje de manhã cedo, a média de camionistas portugueses afetados pelo protesto era de dez mil, mas cerca das 10:30 já era muito superior a isso. Muitos camiões portugueses que saíram este fim de semana acabaram por ficar paralisados devido aos [protestos] dos ‘coletes amarelos’”, indicou Márcio Lopes.

De acordo com o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), os camionistas estão a ser afetados sobretudo pelos bloqueios que não permitem uma circulação normal.

A forma como estão a ser prejudicados tem a ver com o bloqueio dos camionistas nas estradas e não pelo bloqueio que está a ser feito em algumas bombas de gasolina.

“Só 5% dos camionistas portugueses abastecem em França, os restantes fazem-no ou antes de entrar em França ou depois de sair”, disse.

Em Portugal, as transportadoras portuguesas estão a reivindicar o Contrato Coletivo de Trabalho, melhores condições e também o preço dos combustíveis, de acordo com o presidente da ANTRAM, que adiantou que membros da Associação Nacional de Transportadores Portugueses (ANTP) vão reunir-se hoje com o secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d'Oliveira Martins para falar sobre os problemas do setor.

Vários incidentes marcaram a noite de domingo. Em Calais, um motorista inglês e um motorista de camião australiano foram levados sob custódia, depois de tocarem nos manifestantes para forçar os bloqueios nas estradas.

Em Saint-Dizier (leste), o motorista de um camião foi parado pelos policias depois de ferir um "colete amarelo", que foi transportado para o hospital.

Em Auvergne-Rhône-Alpes, os “coletes amarelos” estão posicionados na A6 em Villefranche-sur-Saône, criando vários quilómetros de engarrafamentos, de acordo com a prefeitura de Rhône. O acesso à A6 também sofreu perturbações, no sul de Chalon-sur-Saone.

No Sudeste, vários pontos de bloqueio estão instalados na A7. A portagem de Nîmes-Ouest foi danificada.

No sábado, quase 290.000 pessoas protestaram em 2.034 locais. Novos comícios decorreram no domingo em cerca de 150 locais, segundo o ministro do Interior, Christophe Castaner.

Os "coletes amarelos" são um movimento cívico à margem de partidos e sindicatos criado espontaneamente nas redes sociais e alimentado pelo descontentamento da classe média-baixa.

O movimento, que alargou os protestos contra a carga fiscal em geral, é um novo obstáculo para o executivo de Emmanuel Macron, que decidiu aumentar os impostos dos combustíveis para promover a transição energética.

O Governo decretou um aumento dos impostos dos combustíveis de 7,6 cêntimos por litro para o ‘diesel’ e de 3,9 cêntimos para a gasolina e, a partir de janeiro, serão aplicadas taxas adicionais a estes produtos de 6 e de 3 cêntimos, respetivamente.

Os "coletes amarelos" têm o apoio de 74% da população francesa, segundo uma sondagem publicada na passada sexta-feira.