Uma investigação judicial ao novo surto de covid-19 em Melbourne arrancou hoje na Austrália, para apurar se houve violações das regras de segurança nos hotéis designados para realizar a quarentena obrigatória de viajantes vindos do estrangeiro.

O governo do estado de Victoria, cuja capital é Melbourne, ordenou no início deste mês o início da investigação, depois de o número de infetados com o novo coronavírus ter aumentado, levando a um segundo confinamento na cidade de cinco milhões de habitantes, que deverá prolongar-se até 20 de agosto.

"Os comentários feitos pelo médico responsável [de Victoria] aos meios de comunicação social sugerem mesmo que cada caso de covid-19 em Victoria nas últimas semanas pode ter tido origem no programa de quarentena dos hotéis", disse o advogado assistente Tony Neal na abertura de uma audiência em Melbourne.

Esta hipótese foi noticiada por meios de comunicação australianos, que deram conta de falhas por parte dos seguranças responsáveis pela vigilância nos hotéis de Melbourne. De acordo com a imprensa local, os seguranças terão deixado os viajantes sair dos seus quartos ou mesmo tido relações sexuais com pessoas em quarentena.

O inquérito judicial, que deverá estar concluído em 25 de setembro, altura em que deverá ser apresentado um relatório final, abordará também as ações tomadas pelas autoridades em resposta à pandemia.

Embora o país tivesse anunciado que conseguiu controlar a epidemia, Melbourne registou um ressurgimento de casos desde meados de junho.

A nova vaga foi atribuída a violações das regras nos hotéis em que os viajantes que regressavam do estrangeiro se encontravam de quarentena.

Em 8 de julho, a segunda cidade mais populosa do país foi colocada novamente em confinamento, durante seis semanas, após o fracasso das medidas para evitar a propagação do vírus.

Victoria é responsável por metade do total de 12 mil casos confirmados na Austrália desde que a primeira pessoa infetada foi detetada, em março.

O novo surto levou aquele estado a ordenar a utilização de máscaras em Melbourne e na cidade rural de Mitchell, também sob confinamento, uma medida sem precedentes na Austrália.

A fronteira entre Victoria e Nova Gales do Sul, estados que representam mais de metade da população australiana, foi encerrada no início deste mês pela primeira vez em 100 anos.

Além disso, o parlamento de Camberra cancelou a próxima sessão, que deveria realizar-se entre 04 e 13 de agosto.

O estado de Nova Gales do Sul, que registou transmissões locais na cidade de Sydney e na cidade costeira de Baía de Batesman, também reforçou os controlos na fronteira com Victoria.

A Austrália, com uma população de 25 milhões de habitantes, registou mais de 11 mil casos do novo coronavírus e 122 mortes desde o início da pandemia.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 601 mil mortos e infetou mais de 14,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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