O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, congratulou-se esta sexta-feira com o anunciado cessar-fogo entre Israel e Palestina, que entrou oficialmente em vigor às 00:00 de Lisboa, lamentando porém as mortes dos últimos 11 dias.

A União Europeia congratula-se com o anunciado cessar-fogo que põe termo à violência em Gaza e arredores. Louvamos o Egito, o Qatar, as Nações Unidas, os Estados Unidos e outros que desempenharam um papel facilitador neste processo”, reage Josep Borrell, numa declaração hoje divulgada à imprensa em Bruxelas.

Ainda assim, o chefe da diplomacia da UE adianta: “Estamos [UE] consternados e lamentamos a perda de vidas ao longo destes últimos 11 dias”.

Para o Alto Representante da União para a Política Externa, a situação na Faixa de Gaza era “há muito insustentável”.

Só uma solução política poderá trazer uma paz sustentável e pôr fim de uma vez por todas ao conflito israelo-palestiniano. Restaurar um horizonte político no sentido de uma solução de dois Estados continua agora a ser da maior importância e a UE está pronta a apoiar plenamente as autoridades israelitas e palestinianas nestes esforços”, adianta Josep Borrell.

O Gabinete de Segurança do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou ao início da noite de quinta-feira o cessar-fogo unilateral que interrompe a intervenção militar que estava a decorrer na Faixa de Gaza há 11 dias.

Pouco depois, o Hamas confirmou que o cessar-fogo com Israel iria entrar em vigor a partir das 02:00 de hoje (00:00 em Lisboa), considerando que a trégua representa uma derrota para o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

O dia de quinta-feira começou da mesma maneira que os anteriores nos dois territórios, sem tréguas na ofensiva entre Israel e o Hamas.

No entanto, Netanyahu anunciou que tinha convocado uma reunião de emergência do Gabinete de Segurança, que culminou no anúncio do cessar-fogo.

As Forças Armadas israelitas anunciaram no início de quinta-feira o bombardeamento de túneis utilizados por elementos do Hamas, assim como habitações que pertenciam a oficiais do Hamas.

Porém, as imagens transmitidas pelos órgãos de comunicação revelam edifícios completamente destruídos e o desespero da população palestiniana em Gaza.

O mais recente reacendimento do conflito israelo-palestiniano, que dura há várias décadas, provocou a morte a pelo menos 232 palestinianos em Gaza, entre os quais 64 menores, e 1.620 feridos.

Em Israel, as autoridades contabilizaram a morte de 12 pessoas, entre as quais dois menores, e 340 feridos.

Na passada terça-feira, reunidos em Bruxelas, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE exigiram um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, após a escalada de violência entre israelitas e palestinianos, com a Hungria a abster-se desta tomada de posição europeia.

. / JGR