O imã Mahmoud Dicko, figura proeminente nos protestos contra o ex-Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita (IBK), anunciou esta sexta-feira que irá “voltar para a mesquita”, depois do afastamento do chefe de Estado.

Vou voltar para a mesquita, sou um imã”, afirmou Dicko, citado pela agência France-Presse, perante milhares de manifestantes na capital, Bamako, acrescentando: “Agradeço aos militares. O povo, África e o mundo estão a observar. Que respeitem o seu compromisso, que sejam dignos”.

O papel do imã Dicko foi crucial na mobilização contra IBK, que anunciou a sua demissão na madrugada de quarta-feira, horas depois de ter sido afastado do poder num golpe liderado por militares, após meses de protestos e agitação social no país.

A ação dos militares foi condenada pela Organização das Nações Unidas (ONU), União Africana, CEDEAO e União Europeia (UE), mas saudada pela oposição maliana.

A junta que assumiu o poder anunciou que iria pôr em prática uma transição política, em acordo com as forças políticas e sociais.

Segundo a AFP, o imã Mahmoud Dicko considerou que era seu dever “dizer certas coisas”, sugerindo que continuará a exercer influência sobre a população, mas que o seu objetivo é “reconciliar todos os malianos”.

Peço-vos que perdoeis o meu irmão mais velho, IBK. Não queríamos que ele saísse por este caminho”, afirmou, junto da multidão.

O golpe de Estado na terça-feira começou com a detenção pelos militares golpistas do Presidente Keita e do seu primeiro-ministro, Boubou Cissé, bem como a detenção de altos funcionários civis e militares, que foram levados para o campo militar de Kati, nos subúrbios da capital maliana.

Este golpe de Estado é o quarto na história do Mali, que se tornou independente da França em 1960. Os militares tomaram o poder em 1968, 1991 e 2012, tendo o último aberto as portas do país a grupos ‘jihadistas’.

Portugal tem no Mali 74 militares integrados em missões da ONU e da UE.

Antigo primeiro-ministro (1994-2000), Ibrahim Boubacar Keita, 75 anos, foi eleito chefe de Estado em 2013, e renovou o mandato de cinco anos em 2018.

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