Dois meses após o início da epidemia do novo coronavírus Covid-19, em dezembro, há ainda uma dúvida generalizada sobre o número exato de casos registados na China e se esta epidemia está, finalmente, a ser estabilizada na província de Hubei, o epicentro do surto.

A verdade é que o governo chinês já mudou três vezes o método de contagem de casos confirmados com o novo coronavírus. Estas mudanças têm por base o que é considerado pelas autoridades chinesas como um "caso confirmado".

A primeira mudança veio quando, na semana passada, as autoridades chinesas passaram a contabilizar os diagnósticos clínicos como casos confirmados. 

As autoridades chinesas confirmaram que mudaram o método como os casos estão a ser contabilizados […], incluindo agora todos os casos suspeitos com diagnóstico clínico de pneumonia, o que significa que estes novos casos não foram necessariamente confirmados em laboratório como tendo Covid-19”, indicou o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, citado pela CNN.

Este método de contagem veio aumentar exponencialmente o número de casos de pessoas infetadas com o coronavírus na região.

De acordo com dados da OMS, só a 12 de fevereiro foram registados mais de 15 mil novos casos na China continental.

Na mesma semana, as indicações das autoridades chinesas mudaram: os diagnósticos clínicos foram excluídos do registo de casos confirmados.

Na altura, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reagiu à mudança, observando no relatório: "Alguns casos anteriormente registados como 'diagnosticados clinicamente' devem, portanto, ser descartados nos próximos dias, à medida que os exames laboratoriais são conduzidos e alguns são considerados Covid -19 negativo".

A partir daquele momento, os outros casos passaram a ser registados como "suspeitos": uma decisão que se refletiu numa descida acentuada no número de novos casos.

De acordo com a CNN, esta sexta-feira, as autoridades chinesas anunciaram outra mudança: Tu Yuanchao, vice-diretor do Comité de Saúde de Hubei, avançou que o governo da província proibiu a prática de reduzir o número de casos já confirmados.

O responsável disse que todos os casos que foram confirmados, mas que foram rejeitados retroativamente por não cumprirem os requisitos dos relatórios, serão adicionados novamente ao total de casos de coronavírus.

Estes ajustes nos números atraíram uma grande atenção do público, causando algumas dúvidas sobre os dados. Neste âmbito, Ying Yong, secretário do comité de saúde, atribuiu uma grande importância a esta questão e ordenou explicitamente que nenhuma subtração seja permitida já (...) Os casos confirmados e todas as subtrações serão adicionadas novamente", disse Tu Yuanchao. 

Rafaela Laja