As autoridades do Sri Lanka foram avisadas sobre os atentados de domingo duas semanas antes de acontecerem, de acordo com um porta-voz do Governo. Rajitha Senaratne declarou ainda que já existia uma lista com o nome dos suspeitos.

Catorze dias antes destes incidentes, fomos informados sobre eles [ataques]”, disse o porta-voz, numa conferência de imprensa, na segunda-feira. “No dia 9 de abril, o chefe da Inteligência Nacional escreveu uma carta que continha muitos nomes de membros da organização terrorista”.

Rajitha Senaratne referia-se ao grupo extremista islâmico National Thowheeth Jama’ath, que ainda não reivindicou os ataques, mas é o principal suspeito dos atentados, que mataram pelo menos 290 pessoas e deixaram outras 500 feridas.

Contudo, segundo o “The Guardian”, o político sublinhou que o Primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, “não foi informado” sobre os alertas e que não tinha tido acesso ao documento sobre possíveis ataques, porque não tinha atendido às reuniões do Conselho de Segurança Nacional. No entanto, o Presidente, Maithripala Sirisena, esteve presente nos conselhos.

De acordo com a mesma publicação, os problemas de comunicação entre o Presidente e o Primeiro-ministro do Sri Lanka são bem conhecidos no país, o que pode significar que os atentados poderiam ter sido evitados, caso não existisse esta cisão no poder político.

Segundo o “New York Times”, as autoridades emitiram um aviso a várias igrejas, indicando motivos para alerta por causa da ameaça do grupo terrorista em questão.

Mano Ganeshan, ministro da Integração Nacional, disse que os oficiais de segurança do seu ministério foram alertados sobre a possibilidade de dois bombistas atacarem políticos.

O cardeal Malcolm Ranjith, arcebispo de Colombo, disse que os ataques poderiam ter sido evitados.

Colocamos as nossas mãos nas nossas cabeças quando soubemos que essas mortes poderiam ter sido evitadas. Porque é que isso não foi evitado?" declarou o cardeal.

Até agora, as autoridades detiveram 24 suspeitos por causa dos ataques, todos naturais do Sri Lanks, com ligação ao grupo extremista National Thowheeth Jama’ath. No entanto, segundo a Lusa, as autoridades suspeitam que tinham ligações ao estrangeiro.

A embaixada dos Estados Unidos no Sri Lanka disse, esta segunda-feira, que os terroristas continuam a planear novos ataques no país.

O Sri Lanka decretou, esta segunda-feira, a entrada em vigor do estado de emergência, a partir da meia-noite, em nome da "segurança pública", anunciou a Presidência cingalesa.

O estado de emergência visa fortalecer a ação das forças de segurança, dando-lhes poderes especiais.

"Isso foi decidido a fim de permitir que a polícia e as três forças (armadas) garantam a segurança pública", disse a Presidência da ilha do sul da Ásia num comunicado, citado pela Lusa.

A cidade de Colombo também declarou um dia de luto nacional na terça-feira e as autoridades cingalesas também bloquearam as principais redes sociais no país.

 

Mas, afinal, o que proclama o grupo National Thowheeth Jama’ath?

Os atentados ainda não foram reivindicados por nenhuma organização terrorista, mas, de acordo com as autoridades, os principais suspeitos pertencem a um grupo islâmico radical, sediado no Sri Lanka, denominado National Thowheeth Jama’ath (NTJ).

Os membros deste grupo acreditam no movimento jihadista e são abertamente contra a religião budista. De acordo com o “New York Times”, a organização esteve por trás de uma série de crimes de vandalização de estátuas e templos budistas, em janeiro, levando à prisão de quatro membros do grupo.

Em 2016, o secretário do NTJ foi preso por incitar ao racismo.

Anne Speckhard, diretora do Centro Internacional para o Estudo do Extremismo Violento, afirmou que esta organização apenas pretende criar ódio, medo e divisões no país.

Não se trata de um movimento separatista. Estes ataques parecem ser diferentes e parecem ter saído diretamente do ISIS, Al Qaeda, dos livros de regras dos militantes jihadistas, uma vez que estes ataques estão a fomentar o ódio, ao atacarem múltiplas igrejas num feriado religioso”, disse, em entrevista ao “New York Times”.