A Organização Mundial da Saúde (OMS) desafiou hoje os laboratórios farmacêuticos a aumentarem a produção do medicamento anti-inflamatório dexametasona, reiterando que o fármaco apenas deve ser administrado a doentes com covid-19 em estado grave e sob supervisão médica.

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que falava numa videoconferência de imprensa, o dexametasona "pode salvar doentes em estado grave", mas apenas deve ser administrado a estes pacientes e sob "supervisão clínica".

"O desafio, agora, é aumentar a produção e distribuir rapidamente, e de forma equitativa, o dexametasona em todo o mundo, focando-nos onde é mais necessário", afirmou o diretor-geral da OMS, a partir da sede da organização, em Genebra, na Suíça.

De acordo com Tedros Adhanom Ghebreyesus, a procura do medicamento anti-inflamatório esteroide aumentou, depois de dados preliminares de um estudo realizado no Reino Unido terem revelado o efeito benéfico do fármaco, ao reduzir a mortalidade de doentes com covid-19 que têm dificuldade em respirar e precisam de receber oxigénio ou estar ligados a um ventilador.

"É um medicamento barato, existem muitos fabricantes em todo o mundo que podem acelerar a produção", sublinhou o diretor-geral da OMS, exortando os países a serem solidários, a trabalharem "juntos" para que o fármaco "chegue aos países e aos doentes mais necessitados".

Na quarta-feira, o presidente da autoridade nacional do medicamento (Infarmed), Rui Santos Ivo, admitiu que o dexametasona pode já estar a ser usado em Portugal no combate a casos graves de covid-19, mas pediu cautela na interpretação dos resultados do estudo.

Rui Santos Ivo adiantou que o uso do fármaco está autorizado em Portugal desde a década de 1960, sendo utilizado "em várias situações" devido, nomeadamente, às suas "características de anti-inflamatório e imunossupressor".

OMS incentiva países a "serem criativos" 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) incentivou os países a "serem criativos" a encontrar medidas para proteger as pessoas da infeção da Covid-19 mantendo a sua subsistência. 

Encorajamos os países a serem criativos, a encontrar formas de as pessoas continuarem com a sua vida, ao mesmo tempo que as protegem", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa videoconferência de imprensa transmitida da sede da organização, em Genebra, na Suíça.

Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesu, "todos os países estão a enfrentar um equilíbrio difícil", o de "proteger as pessoas" de uma nova doença respiratória infecciosa, que se propaga facilmente e mata, e o de "minimizar os danos sociais e económicos" decorrentes de uma pandemia.

Há uma escolha entre as vidas e a subsistência", referiu o diretor-geral da OMS, assinalando que "alguns países" assistem a um "aumento rápido" de novos casos "à medida que reabrem a sua economia".

O diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, Michael Ryan, reconheceu que "não há um risco zero" na pandemia da Covid-19 e que "é um dilema" para os países "equilibrar as medidas de isolamento e proteger os meios de subsistência das pessoas".

Contudo, de acordo com o epidemiologista irlandês, as medidas para conter a propagação da doença devem ser proporcionais e revistas e focar-se, designadamente, na vigilância e na eliminação de novos focos de infeção.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu, considerou que os países devem "duplicar esforços fundamentais" como testar, isolar e cuidar de casos suspeitos e doentes com covid-19 e pediu que as pessoas, individualmente, façam "a sua parte" para se protegerem a si e às outras pessoas da infeção, como manter o distanciamento físico, lavar as mãos e usar máscara quando o distanciamento é difícil de manter.

Parece que quase todos os dias alcançamos um novo e sombrio eco" da pandemia da Covid-19, lamentou, recordando o novo recorde diário atingido no mundo, e divulgado hoje de manhã, de mais de 183 mil novos casos de infeção.

Em Portugal, morreram 1.534 pessoas das 39.392 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A covid-19 é causada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

As medidas para combater a pandemia paralisaram setores inteiros da economia mundial.

     

A pandemia da covid-19 já provocou mais de 468 mil mortos e infetou quase 9 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.534 pessoas das 39.392 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é causada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

/ AM