O diplomata da Coreia do Norte que a polícia malaia quer interrogar pela morte de Kim Jong-nam, irmão do líder norte-coreano, despediu quatro compatriotas suspeitos do crime antes de estes fugirem para Pyongyang, avança a imprensa local.

Fontes da polícia disseram ao Channel News Asia que o segundo secretário da embaixada norte-coreana na Malásia, Hyon Kwang Song, foi captado por câmaras de segurança do aeroporto de Kuala Lumpur juntamente com os quatro suspeitos.

Na quarta-feira, o chefe da polícia anunciou que as autoridades pretendem interrogar o diplomata norte-coreano e um funcionário das linhas aéreas de Pyongyang pelo alegado envolvimento no assassínio de Kim Jong-nam.

A polícia suspeita de cinco norte-coreanos e procura outros três para serem questionados.

Entre os procurados está Hyon Kwang Song, de 44 anos, segundo secretário da embaixada de Pyongyang em Kuala Lumpur, e Kim Uk Il, de 37 anos, funcionário norte-coreano da transportadora aérea estatal Air Koryo, disse Khalid Abu Bakar aos jornalistas.

O funcionário da transportadora aérea estatal Air Koryo também surge acompanhado do grupo nas imagens das câmaras de segurança do aeroporto, que foram gravadas a 13 de fevereiro, dia da morte.

“Escrevemos ao embaixador para que permita que entrevistemos os dois. Esperamos que a embaixada norte-coreana coopere connosco e permita que os entrevistemos rapidamente. Se não, vamos obrigá-los a vir até nós”, afirmou, citado pela Reuters.

Khalid indicou que a polícia acredita que cinco norte-coreanos estiveram “altamente envolvidos” na morte de Kim – quatro homens fugiram do país no dia do crime enquanto um permanece detido na Malásia.

Autópsia de Kim Jong-nam é “ilegal e imoral”

A imprensa oficial de Pyongyang acusou hoje a Malásia de realizar uma autópsia “ilegal e imoral” a Kim Jong-nam, meio-irmão do líder da Coreia do Norte, quebrando o silêncio de dez dias desde o assassínio.

“A Malásia é obrigada a entregar o seu corpo à DPRK [Coreia do Norte], já que fez uma autópsia e exames forenses de forma ilegal e imoral”, afirmou o Comité de Juristas da Coreia do Norte, num comentário divulgado pela agência KCNA.

A Malásia não libertou o corpo “sob o pretexto absurdo” de que precisa de amostras de ADN da família do homem.

Kim Jong-nam, de 45 anos, é o nome mais importante que foi assassinado sob o regime de Kim Jong-un desde a execução do tio do líder, Jang Song-Thaekm, em 2013. As duas vítimas seriam bastante próximas uma da outra. 

Kim Jong-nam, filho mais velho do falecido líder da Coreia do Norte Kim Jong-Il, pediu ao meio-irmão Kim Jong-Un, atual líder do país, que lhe poupasse a vida e a da família depois de ter sobrevivido a uma tentativa de assassinato em 2012.

Kim Jong-nam passava muito tempo fora da Coreia do Norte e já tinha contestado publicamente o regime ditatorial do meio-irmão.

/ AM