O presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, assistiu hoje, na fronteira com a Colômbia, à partida simbólica de camiões com ajuda humanitária para a Venezuela.

“A ajuda humanitária vai a caminho da Venezuela”, afirmou Guiadó na fronteira em Cúcuta, Colômbia, cerca das 15:35 em Lisboa (11:35 na Venezuela), minutos antes de subir a um camião com ajuda, numa cerimónia transmitida em direto pelas televisões.

Ao lado de Guaidó, estava o presidente colombiano, Ivan Duque, que antes formalizou a entrega dos camiões com a ajuda humanitária.

Não há ainda informação sobre a entrada em território venezuelano.

Antes militares da Guarda Nacional da Venezuela lançaram hoje gás lacrimogéneo sobre os manifestantes que se concentravam junto à ponte fronteiriça com a Colômbia, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Sem adiantar mais informação, a AFP refere apenas que os militares governamentais dispersaram os manifestantes do local com recurso ao lançamento de gás lacrimogéneo.

Isto depois de o Governo da Venezuela anunciar que iria encerrar parcialmente a fronteira com a Colômbia perante "as ameaças" contra a sua soberania, a poucas horas da esperada entrada de ajuda humanitária internacional através da cidade de Cúcuta.

Numa publicação divulgada na rede social twitter, na sexta-feira (madrugada de hoje, em Lisboa), a vice-Presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou que o Governo vai "fechar temporariamente" as pontes Simón Bolívar, Santander e Unión.

A medida surge depois do presidente, Nicolás Maduro, ter encerrado a fronteira com o Brasil, onde, no mesmo dia, confrontos entre o exército e uma comunidade indígena deixaram pelo menos dois mortos.

A entrada de ajuda humanitária, especialmente os bens fornecidos pelos Estados Unidos, no território venezuelano tem sido um dos temas centrais nos últimos dias do braço-de-ferro entre o autoproclamado Presidente interino, Juan Guaidó, e Nicolás Maduro.

O Governo venezuelano tem insistido em negar a existência de uma crise humanitária no país, afirmação que contradiz os mais recentes dados das Nações Unidas, que estimam que o número atual de refugiados e migrantes da Venezuela em todo o mundo situa-se nos 3,4 milhões.

Maduro encara a entrada desta ajuda humanitária como o início de uma intervenção militar por parte dos norte-americanos e tem justificado a escassez com as sanções aplicadas por Washington.

Guaidó anuncia entrada de primeiro camião do Brasil com ajuda humanitária

Entretanto, Juan Guaidó, também anunciou través da rede social Twitter que o primeiro camião, de dois, com ajuda humanitária proveniente do Brasil entrou na Venezuela.

“Anunciamos oficialmente que a primeira remessa de ajuda humanitária já entrou pela nossa fronteira com o Brasil”, escreveu Guaidó na rede social.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, tinha-se mostrado confiante no sucesso da entrega de ajuda humanitária na Venezuela, transportada por dois camiões a partir da cidade brasileira de Boavista.

“Todos estão a olhar para o que está a acontecer hoje na fronteira com a Venezuela. Temos a expectativa que permitam a passagem” dos camiões, disse Ernesto Araújo, considerando que “segurança permanece normal”.

Junto à fronteira, em declarações aos jornalistas, Ernesto Araújo disse ainda que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, “não tem poder real”, “nem tem moral e só tem o poder da força bruta”.

Ernesto Araújo assegurou que “a queda de Maduro é uma questão de tempo” e espera que os “militares venezuelanos devem apoiar” o chefe da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó, que em janeiro se autoproclamou presidente da Venezuela, sendo reconhecido por 50 países.

O Brasil enviou dois camiões com ajuda humanitária, esta madrugada, a partir da cidade de Boa Vista, que faz fronteira – encerrada desde quinta-feira por ordem do governo de Nicolás Maduro – entre os dois países.