O ministro do Interior de Itália e líder da Liga (extrema-direita), Matteo Salvini, pediu hoje ao homólogo da Holanda que receba os 42 migrantes que esperam há 11 dias no Mediterrâneo para desembarcar.

Escrevi pessoalmente ao ministro holandês, surpreende-me que se tenha desinteressado de um navio que tem a sua bandeira e pertence a uma organização não-governamental alemã e que está há 11 dias no meio do mar", disse Salvini, numa nota enviada aos meios de comunicação.

Na carta, divulgada pelo Ministério do Interior italiano, Salvini afirma que o navio espera "em águas internacionais, a pouca distância de Lampedusa, com 42 migrantes a bordo", com esperança de "obter autorização para desembarcar em Itália".

O também vice-primeiro-ministro italiano pediu às autoridades holandesas que se responsabilizem pelas pessoas que estão a bordo para evitar que as suas condições psicológicas, de higiene e sanitárias atualmente delicadas continuem a piorar.

Na sua opinião, os migrantes e a tripulação devem poder desembarcar assim que possível num porto "que não pode ser em Itália, nem para um primeiro acolhimento tendo em vista uma possível operação de recolocação" noutros estados europeus.

A organização não-governamental Sea Watch socorreu no passado dia 12 de junho 53 pessoas perto da costa da Líbia.

Três dias depois, a guarda costeira italiana fez uma inspeção sanitária a bordo e decidiu retirar da embarcação 10 pessoas por motivos médicos. No sábado, as autoridades italianas decidiram retirar do navio um outro migrante também por motivos de saúde, estando atualmente a bordo 42 migrantes.

O navio está em águas internacionais em frente à ilha de Lampedusa. O Governo italiano aprovou, recentemente, um decreto-lei que contempla multas até 50.000 euros para embarcações de organizações humanitárias que entrem em águas territoriais sem autorização.