Steve Bannon, o ex-estratega político do Presidente Donald Trump, declarou na sexta-feira que está a ser vítima de uma “cabala política”, após ter sido detido na quinta-feira por suspeita de desvio de milhares de dólares de fundos doados.

Bannon, acusado de desvio de dinheiro para a construção de um muro entre os Estados Unidos e o México, foi libertado no mesmo dia da detenção, após pagar fiança.

“Todo o mundo sabe que não sou do tipo que desiste”, disse o ex-assessor de Trump no seu podcast “War Room”.

Estou pronto para aguentar o tempo que for preciso. Vou continuar a lutar", insistiu.

Bannon, próximo da extrema-direita, disse no seu podcast que a sua prisão tinha o objetivo de "intimidar as pessoas" que apoiam o muro anti-imigração prometido por Donald Trump durante sua bem-sucedida campanha eleitoral de 2016.

Bannon, que se declarou inocente, saiu do tribunal de Manhattan, Nova Iorque, ao final da tarde de quinta-feira, onde era aguardado por dezenas de jornalistas e cidadãos, que gritaram “onde está o dinheiro?”.

O antigo conselheiro de Trump foi detido no Connecticut (nordeste dos Estados Unidos), a bordo de um iate do milionário chinês Guo Wengui, por suspeitas de ter desviado centenas de milhares de dólares de uma campanha de angariação de fundos para a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México.

O juiz Stewart Aaron fixou-lhe uma fiança de 5 milhões de dólares (4,2 milhões de euros), 1,75 milhões de dólares (1,4 milhões de euros) dos quais em dinheiro ou propriedades, e proibiu-o de sair do país ou viajar em aviões ou embarcações privadas sem autorização expressa do tribunal.

Até à próxima audiência, marcada para 31 de agosto, Bannon tem ainda de suspender a angariação de fundos que empreendeu com três colaboradores – Brian Kolfage, Andrew Badolato e Timothy Shea -, igualmente detidos e acusados.

Segundo a acusação, Bannon e os colaboradores montaram um esquema para desviar dinheiro recolhido através da campanha “We Build The Wall” (“Nós Construímos o Muro”), que reuniu mais de 25 milhões de dólares (21,1 milhões de euros).

A campanha prometia que a totalidade dos fundos angariados financiariam a construção do muro, principal promessa eleitoral do Presidente, mas, segundo a acusação, a promessa era “falsa”.

“Na realidade […] os acusados receberam coletivamente centenas de milhares de dólares que usaram de forma inconsistente em manifestações públicas da organização”, segundo a procuradoria.

O polémico antigo colaborador de Donald Trump, que abandonou a administração norte-americana em 2017 e colaborou com movimentos de extrema-direita em vários países, designadamente na Europa, é acusado de conspiração para fraude eletrónica e conspiração para branqueamento de dinheiro, puníveis com até 20 anos de prisão cada um.