O presidente turco Erdogan revelou, esta terça-feira, os pormenores da morte do jornalista saudita, cujo corpo ainda não foi encontrado, no consulado da Arábia Saudita em Istambul. Segundo o presidente, que falou no Parlamento turco, duas equipas sauditas - com 15 pessoas - estão envolvidas no crime.

De acordo com Erdogan, as câmaras de vigilância do consulado foram removidas no dia anterior à visita de Jamal Khashoggi, numa clara prova de que o homicídio do jornalista foi "planeado" pelos oficiais saudita e avisou que não pode haver encobrimento do caso.

Uma equipa de nove pessoas, incluindo generais, voou da Arábia Saudita para o encontro com o jornalista e que, um dia antes de Khashoggi entrar no consulado, uma outra equipa com três pessoas estudou uma floresta em Istambul.

Apesar dos sauditas dizerem que o jornalista foi morto numa "luta corpo-a-corpo", a Turquia decidiu abrir uma investigação à "morte violenta" uma vez que as provas sugerem que Khashoggi foi vítima de um "assassinato repulsivo" e de uma atrocidade que não deve ser encoberta.

A investigação vai contar com a colaboração das autoridades sauditas garantida pelo rei Salman, mas o presidente turco já garantiu que o crime vai ter repercussões diplomáticas. Uma delas foi a dispensa do consul saudita, que Erdogan reportou ao rei saudita como "incompetente". 

"Porque estava esta equipa de 15 homens sauditas na Turquia? Sob as ordens de quem? Porque é que o consulado não abriu uma investigação de imediato? Porque é que há tantas versões dadas por sauditas? Quem é o colaborador local que fez desaparecer o corpo de Khashoggi? A Arábia Saudita tem de responder a todas estas questões", afirmou Erdogan, acrescentando que o corpo do jornalista ainda não foi encontrado.

O presidente turco afirmou ainda que quer que sejam julgados na Turquia os 18 cidadãos detidos na Arábia Saudita por suspeitas de envolvimento na morte do jornalista.

"Apelo ao rei Salman bin Abdulaziz para que estas pessoas sejam julgadas em Istambul", disse Erdogan.

Jamal Khashoggi, 60 anos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, no dia 2 de outubro, para obter um documento para casar com uma cidadã turca e nunca mais foi visto.

Jornalista saudita residente nos Estados Unidos desde 2017, Khashoggi era apontado como uma das vozes mais críticas da monarquia saudita.

A Arábia Saudita reconheceu que o jornalista foi morto no seu consulado em Istambul durante uma luta, referindo que 18 sauditas estão detidos como suspeitos, anunciou a agência oficial de notícias SPA.

A agência estatal de notícias saudita SPA revelou também que um conselheiro próximo do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, foi demitido, juntamente com três líderes dos serviços de inteligência do reino e oficiais.

As informações reveladas não identificam os 18 sauditas detidos pelas autoridades.