As autoridades chinesas suspenderam a construção de uma ponte em Jingzhou, província de Hubei, após o projeto ter causado a morte de 6.000 peixes da espécie esturjão-chinês, que está em perigo de extinção.

Uma investigação, a cargo da Administração de Pescas do Rio Yangtzé e o Gabinete de Agricultura de Hubei, concluiu que as mortes dos peixes estão "diretamente relacionadas com os sobressaltos, ruídos e alterações nas correntes de água", causadas pela construção da ponte Miyue, parte da zona de ecoturismo de Jinan.

As autoridades concluíram que parte da construção foi feita em reservas naturais nacionais, o que é ilegal, forçando a paralisação da obra.

"Qualquer pessoa ou organização envolvida na morte do esturjão chinês ou na construção ilegal numa reserva natural nacional é culpada perante a Lei da Pesca, a Lei de Proteção de Vida Selvagem e Lei da Proteção Ambiental", informaram as autoridades, citadas pela imprensa local.

Os cerca de 6.000 peixes morreram numa reserva destinada a esta espécie em perigo de extinção, próximo do local de construção da ponte.

Considerado um "tesouro nacional", junto com o panda, o esturjão-chinês, cujo nome científico é 'acipenser sinensis', encontra-se em perigo critico de extinção, devido à poluição, pesca excessiva e construção de barragens no país.

A espécie, com origem no Yangtzé, o maior rio na Ásia, é um dos seres vivos mais antigos do planeta. Estima-se que exista há 140 milhões de anos, desde o período do cretáceo, quando havia ainda dinossauros na Terra.

A China lançou, nos anos 1980, um programa para criação em cativeiro, quando restavam apenas 200 exemplares em liberdade.

No entanto, a sobrevivência do esturjão-chinês no Yangtzé continua a ser um desafio.

Em 2005, as autoridades chinesas libertaram mais de 10.000 crias e 200 exemplares adultos, criados em cativeiro, mas passados dois anos, apenas 14 restavam no rio.

O esturjão-chinês, que pode ter até cinco metros de comprimento, e que é muito vulnerável ao ruído, condições do meio-ambiente e feridas causadas pelos barcos, poderá desaparecer, como sucedeu ao golfinho do Yangtzé em 2007.