O Controlador-Geral venezuelano, Elvis Amoroso, anunciou na terça-feira que 28 deputados da antiga Assembleia Nacional liderada pelo opositor Juan Guaidó, foram impedidos legalmente de exercer cargos públicos.

Esta decisão, que incluiu o opositor Juan Guaidó, foi tomada por não terem apresentado uma declaração de bens certificada à Controladoria-Geral da Venezuela, que vai abrir uma investigação sobre irregularidades administrativas contra o património público, indicou o responsável.

Todos os funcionários públicos são obrigados" a apresentação esta declaração "para que se conheça o património" que possuem, sublinhou Amoroso, numa conferência de imprensa, em Caracas.

O procurador solicitou à comunidade internacional que respeite as decisões das instituições do Estado venezuelano.

Algo têm que ocultar estas pessoas. Sabemos que estes personagens estão imersos em factos de corrupção e se apoderaram de dinheiro dos venezuelanos, tanto no país como no estrangeiro”, frisou.

Em resposta ao anúncio do controlador-geral, o líder opositor Juan Guaidó atribuiu, em comunicado, a decisão a “uma nova afronta da ditadura de Nicolás Maduro [Presidente da Venezuela] contra a democracia e as instituições do país”.

Ameacem tudo o que quiserem que continuaremos a trabalhar (…) O meu compromisso é com os venezuelanos, em recuperar a democracia no nosso país”, salientou.

Para Guaidó, “são estas ações da ditadura que fecham as portas a eleições livres” no país.

Enquanto a ditadura inabilita dirigentes políticos, sequestra partidos políticos (...) impede que se cumpram as condições para que a vontade do povo venezuelano seja respeitada nas urnas, o mundo vai continuar a ignorar e a agir contra os que hoje usurpam o poder e contra os seus cúmplices”, concluiu.

A inabilitação dos deputados opositores tem lugar no ano que os venezuelanos vão ser chamados às urnas para eleger novos governadores estaduais e presidentes das câmaras municipais.

A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando o então presidente do parlamento Juan Guaidó jurou assumir as funções de Presidente interino do país até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres e democráticas no país.

. / CE