O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou, esta quarta-feira, um decreto para agilizar os pedidos de cidadania russa por ucranianos que vivem em áreas dominadas por separatistas, o que pode destruir a esperança de paz na região.

No decreto, publicado, esta quarta-feira, no portal do Kremlin na Internet, anuncia-se que os ucranianos que vivam nas regiões do leste, em Donetsk e Luhansk, com forte implantação de movimentos separatistas, poderão ver os seus pedidos de cidadania russa tratados em menos de três meses.

As especulações sobre esta decisão ensombraram toda a campanha eleitoral para as Presidenciais ucranianas, que decorreram no domingo, mas tudo indicava que o Kremlin apenas a aplicasse se o líder incumbente, Petro Poroshenko, tivesse vencido.

Contudo, Poroshenko foi derrotado pelo comediante de televisão Volodymyr Zelensky, que deverá ser empossado no próximo mês e que tinha anunciado como uma das suas prioridades para o seu mandato acabar com a guerra com a Rússia, que já matou mais de 15 mil pessoas.

A decisão hoje anunciado por Putin pode desencadear uma escalada de tensões na região separatista ucraniana, diminuindo a possibilidade de um processo de paz, como era desejo do futuro Presidente da Ucrânia.

Na campanha eleitoral Zelensky não foi tão belicoso como era Poroshenko, relativamente à Rússia, e falou por várias vezes na intenção de encontrar uma solução pacífica para a zona de controlo separatista.

Zelensky ainda não reagiu a esta decisão de Putin.

Ao contrário de outros líderes mundiais, Vladimir Putin ainda não congratulou Zelensky pela sua vitória, alegando que os resultados eleitorais ainda não são definitivos.

Esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Pavlo Klimkin, classificou a decisão russa de atribuição de cidadania em tempo acelerado como “uma nova etapa de ocupação” russa.

Peço aos cidadãos ucranianos que vivem nos territórios ocupados que recusem passaportes russos”, disse Klimkin na sua conta pessoal da rede social Twitter.

Volodymyr Yelchenko, enviado da Ucrânia nas Nações Unidas, disse hoje que entrou em contacto com o Conselho de Segurança da ONU para discutir esta medida, que, segundo o diplomata, viola grosseiramente os acordos de paz de 2015.

Depois da anexar a Crimeia, a Rússia tem procurado apoiar os rebeldes separatistas no leste da Ucrânia, mas tinha suspendido as suas intenções de reconhecer a sua independência ou, até agora, de oferecer cidadania russa aos moradores dessa região.