O bombista suicida que, na segunda-feira à noite, matou 22 pessoas e feriu 59 num concerto de Ariana Grande em Manchester, no Reino Unido, poderá não ter agido sozinho. Quem o admite é a ministra britânica da Administração Interna, Amber Rudd, em declarações à BBC News.

Parece provável, possível, que ele não fez isto por conta própria, pelo que os serviços secretos e a polícia estão a seguir todas as pistas para garantir que obtêm toda a informação de que precisam para nos manter em segurança", afirmou a governante esta quarta-feira de manhã.

Amber Rudd admitiu que Salman Abedi, de 22 anos, identificado como o autor do ataque, entretanto reivindicado pelo Estado Islâmico, já estava referenciado pelos serviços secretos e observou que o ataque foi "mais sofisticado do que outros".

"Os serviços de segurança conhecerão muitas pessoas, isso não quer dizer que seja de esperar que eles prendam toda a gente que conhecem, mas é alguém que eles conheciam antes e tenho a certeza de que quando esta investigação terminar poderemos vir a saber mais", sublinhou.

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Salman Abedi, nascido na área de Manchester, residia no apartamento de Fallowfield, no sul da cidade, onde horas antes a polícia procedeu a uma explosão controlada.

Filho de pais líbios fugidos ao regime de Muammar Kadhafi, Salman Abedi terá regressado recentemente da Líbia, confirmou a governante.

Sim, creio que se confirma. Quando esta operação terminar, quereremos olhar para trás e para o que aconteceu, como se radicalizou e que apoio terá tido", disse Amber Rudd.

Também esta quarta-feira de manhã, o ministro francês da Administração Interna afirmou que as autoridades britânicas suspeitam que Salman Abedi esteve na Síria onde se radicalizou e "decidiu avançar com este ataque".

Gérard Collomb acrescentou que Abedi tinha ligações com o auto-proclamado Estado Islâmico. Sobre se agiu ou não sozinho, o ministro francês respondeu que isso "ainda não se sabe, mas é provável" que tenha tido ajuda.

A ministra britânica Amber Rudd esclareceu ainda que cerca de 3800 militares estão destacados nas ruas, em resposta a este ataque. A medida foi avançada terça-feira pela primeira-ministra, Theresa May, de que em locais-chave, como concertos e eventos desportivos, a polícia seria substituída por militares.

O Reino Unido está agora sob "ameaça iminente" de novo atentado terrorista. O nível de alerta no país subiu de "sério", que se mantinha há vários anos, para "crítico" depois do ataque à saída do concerto da cantora norte-americana na Arena de Manchester.