O governo canadiano exigiu esta segunda-feira respostas do Irão às questões que ainda surgem sobre o caso do Boeing ucraniano abatido em janeiro no país árabe, depois de informações dadas neste domingo por Teerão acerca do conteúdo das caixas negras.

“Este relatório preliminar fornece apenas informações limitadas e seletivas sobre este trágico acontecimento”, lamentaram em comunicado os ministros canadianos dos Negócios Estrangeiros, François-Philippe Champagne, e dos Transportes, Marc Garneau.

“Este relatório apenas menciona o que aconteceu depois de o primeiro míssil ter acertado, mas não o segundo, e apenas confirma as informações que já temos. Esperamos que a República Islâmica do Irão forneça respostas às questões importantes, nomeadamente, porque é que os mísseis foram disparados originalmente e porque é que o espaço aéreo estava aberto”, acrescentaram.

A tragédia custou a vida a 176 pessoas que estavam a bordo do avião, a maioria iranianos e canadianos, muitos deles binacionais.

Um “bom número de questões-chave permanece sem resposta”, julgou por sua vez no domingo o Conselho de Segurança dos Transportes do Canadá (BST), depois da informação fornecida pelo Irão sobre o conteúdo das caixas negras.

Os gravadores de voo da aeronave revelaram que os pilotos ainda estavam vivos depois do aparelho ter sido atingido pelo primeiro de dois mísseis iranianos, disseram as autoridades de Teerão.

O gravador de voz da cabine captou as conversas “até 19 segundos do primeiro míssil ter atingido o avião”, segundo as autoridades, no domingo.

Em comunicado, o BST confirmou que recebeu o “'download' dos dados do gravador de voo” do Boeing da organização de aviação civil iraniana, observando que não era “o relatório final da investigação”, mas um “breve resumo do conteúdo obtido no mês passado em Paris, a partir de dados de voo e gravadores de voos na cabine”.

O resumo iraniano é consistente com o que foi observado pelos investigadores canadianos que testemunharam o ‘upload’ dos dados em França, afirmou a presidente do BST, Kathy Fox, assegurando que “a investigação está longe de acabar porque muitas questões-chave estão ainda por responder”.

O Irão abateu acidentalmente com dois mísseis um Boeing 737 da Ukraine International Airlines, em 08 de janeiro, que descolou do aeroporto de Teerão, matando todos os 176 passageiros a bordo.

As autoridades iranianas disseram que as forças de segurança confundiram o aparelho com um míssil, na sequência de uma subida da tensão no país devido à morte do general iraniano Qassem Soleimani, no Iraque, no princípio do ano.

Inicialmente, o Irão disse que o avião caiu devido a problemas técnicos, só reconhecendo que foi abatido por um míssil lançado de terra alguns dias depois.

/ AM