A terceira ronda de negociações sobre a Constituição síria começou esta segunda-feira em Genebra, sob a égide das Nações Unidas, que espera que as partes possam manter “discussões substantivas” durante a semana.

As negociações reúnem 45 pessoas escolhidas em igual número pelo governo de Damasco, a oposição e o emissário da ONU, Geir Pedersen, para integrar representantes da sociedade civil.

As delegações – com máscara devido à pandemia da covid-19 – chegaram separadamente ao Palácio das Nações, sede da ONU em Genebra.

Os negociadores chefe da delegação do governo sírio, Ahmad Kuzbari, e da oposição, Hadi Al-Bahra, acenaram ao entrar no edifício, mas não falaram aos jornalistas que os esperavam.

Pedersen esteve durante o fim de semana com representantes das três partes envolvidas nas discussões.

Na sexta-feira, o enviado da ONU declarou aos media que as discussões em Genebra “não podem obviamente resolver o conflito sírio”, mas representam um “passo importante na direção certa”.

A revisão da Constituição é destacada na resolução 2254, aprovada em dezembro de 2015 pelo Conselho de Segurança e que prevê ainda a organização de eleições sob supervisão da ONU.

O comité constitucional sírio, encarregado de reformar a Constituição de 2012 para a realização de próximas eleições, iniciou os trabalhos a 30 de outubro na ONU em Genebra com a presença de 150 pessoas. Uma comissão restrita de 45 membros ficou então encarregada de tratar dos pormenores da Constituição.

As Nações Unidas esperam que o processo abra caminho a uma resolução política do conflito, que já causou mais de 380.000 mortos desde 2011.

A segunda ronda de negociações terminou no final de novembro em Genebra com um desacordo sobre a agenda, impedindo os representantes do governo e da oposição de se reunirem.

Várias rondas de discussão em Genebra entre as partes em conflito, conduzidas pelo antigo enviado da ONU Staffan de Mistura, também tropeçaram na agenda de negociações, devido à insistência de Damasco em falar sobre terrorismo, quando a oposição exigia que se falasse de transição política.

/ AM