O primeiro-ministro britânico celebrou esta quinta-feira o acordo alcançado para o futuro no pós-Brexit e sublinhou que o Reino Unido recuperou o controlo das suas leis e do seu destino.

Recuperámos o controlo das nossas leis e do nosso destino. Fizemos aquilo que muitos consideraram impossível", afirmou Boris Johnson em conferência de imprensa em Downing Street.

Quatro anos e meio depois da realização do referendo que colocou o Reino Unido fora da União Europeia, Boris Johnn diz que alcançou o maior acordo negocial de sempre, que valerá ao país 184, 5 mil milhões de euros. "Um acordo compreensivo ao estilo do Canadá em termos de trocas comerciais com o Reino Unido", descreve.

O acordo irá proteger trabalhos e permitir que os produtos do Reino Unido sejam vendidos sem tarifas e quotas no mercado da UE, tal como permitir que as empresas façam ainda mais negócios com a Europa", sublinha o primeiro-ministro do Reino Unido.

Boris clarifica o impacto a curto prazo deste acordo: "A partir do dia 1 de janeiro, vamos estar fora da união aduaneira e do mercado único".
 
As leis britânicas serão feitas exclusivamente pelo parlamento britânico, interpretadas por juízes britânicos com assento nos tribunais britânicos e a jurisdição do Tribunal de Justiça da União Europeia chegará ao fim", afirma.

Em relação ao tema dos direitos piscatórios, um dos mais conturbados e limitantes durante as negociações chefiadas por Michel Barnier, Boris Johnson celebra ter alcançado um acordo que, pela primeira vez desde 1973, permire que o Reino Unido seja um estado costeiro com total controlo das suas águas. O PM adianta ainda que as comunidades piscatórias britânicas terão um apoio de 100 milhões de libras (cerca de 111 milhões de euros) para modernizarem as embarcações.

Em relação às negociações com a UE, Johnson admite um clima "feroz", mas garante acreditar que o acordo é benéfico para toda a Europa.

Não é, na minha ótica, uma má opção a União Europeia ter um Reino Unido próspero e dinâmico à sua porta", afirma, sublinhando que existirá "respeito e reconhecimento mútuo".

Seremos vossos amigos, aliados, apoiantes e, na verdade, não vamos esquecer, o vosso principal mercado”, afirmou.

Aos britânicos, Boris Johnson disse: “No final de um dos anos mais difíceis, a nossa atenção está em derrotar a pandemia […] e reconstruir a nossa economia”.

"O acordo] significa acima de tudo certeza, para a indústria da aviação, os transportadores [...], a polícia, as forças das fronteiras e todos aqueles que nos mantêm seguros”, acrescentou.

Significa certeza para nossos cientistas que poderão trabalhar juntos em grandes projetos coletivos. Mas acima de tudo significa certeza para as empresas”, disse o primeiro-ministro.

Minutos após o acordo ser alcançado, o governo britânico congratulou-se por ter cumprido aquilo que prometeu aquando do referendo realizado em 2016. No Twitter, Downing Street sublinha que o acordo é uma notícia fantástica para famílias e empresas em todas as partes do Reino Unido.

 

Nos últimos dias, Johnson e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen envolveram-se diretamente nas negociações, falando por telefone várias vezes para tentar desbloquear o processo que se arrasta há vários meses, afetados pela pandemia covid-19 e pelas visões opostas dos dois lados sobre o que envolve o ‘Brexit'.

Rumores de um acordo comercial antes do Natal surgiram nos últimos dias com base no progresso nas principais questões pendentes: concorrência, resolução de disputas futuras e pesca.

Negociadores da UE e do Reino Unido trabalharam durante a noite e até à véspera de Natal para dar os retoques finais num acordo comercial destinado a evitar uma rotura caótica entre os dois lados no dia de Ano Novo.

Depois de resolver questões pendentes sobre concorrência justa e quase todas as divergências sobre pescas na quarta-feira, os negociadores vasculharam centenas de páginas de textos jurídicos vão definir o relacionamento pós-Brexit entre britânicos e os 27.

Henrique Magalhães Claudino / Atualizada às 16:03