A equipa do opositor russo Alexei Navalny apelou esta segunda-feira à realização de novas manifestações na Rússia no próximo domingo, após a forte mobilização registada nos protestos ocorridos no sábado passado, marcados igualmente por milhares de detenções.

O aliado do opositor russo Leonid Volkov, que se encontra detido desde o passado dia 17 de janeiro, escreveu na rede social Twitter: “31 de janeiro, 12:00 [hora local]. Todas as cidades na Rússia. Pela libertação de Alexei Navalny. Pela liberdade de todos. Pela justiça".

No sábado passado, dezenas de milhares de apoiantes de Navalny concentraram-se em manifestações de apoio, não autorizadas pelas autoridades russas, em mais de 100 cidades do país para exigir a libertação do opositor.

As forças de segurança russas detiveram mais de 3.500 pessoas durante as manifestações.

Dois dias após a sua detenção, Navalny publicou ‘online’ um inquérito que demonstra, na sua perspetiva, a corrupção de Vladimir Putin e do seu círculo para atribuir ao Presidente russo um verdadeiro “palácio”, junto à costa do mar Negro.

A publicação destas informações foi acompanhada pela divulgação de um vídeo com quase duas horas e por um apelo aos russos para que se manifestassem contra o poder de Moscovo.

Após os protestos de sábado, que seriam amplificados devido à publicação do vídeo, Putin negou  pessoalmente ser proprietário de tal propriedade, frisando também não ter visto o vídeo do opositor, que já conta com cerca de 86 milhões de visualizações.

“Não vi esse vídeo, por falta de tempo. Nada do que seja apresentado nele como minha propriedade é meu ou dos meus familiares”, declarou o chefe de Estado russo durante um encontro com estudantes russos transmitido pela televisão.

Navalny foi detido no dia 17 de janeiro, ao regressar à Rússia depois de quase cinco meses de tratamento médico na Alemanha, após ter sido envenenado com uma substância tóxica de uso militar, ato que, segundo o ativista, foi ordenado pelo Presidente russo.

O opositor é acusado de ter violado, ao sair do país, a liberdade condicional, relacionada com outro processo na justiça russa.

Navalny, a principal figura da oposição ao Kremlin (Presidência russa), vai permanecer em prisão preventiva até, pelo menos, 15 de fevereiro.

Várias instituições e países já apelaram à libertação imediata do opositor russo.

Em 20 de agosto de 2020, Navalny sentiu-se mal e desmaiou durante um voo doméstico na Rússia, e foi transportado dois dias depois em coma para a Alemanha para ser tratado.

Laboratórios na Alemanha, França e Suécia, assim como a Organização para a Proibição de Armas Químicas, demonstraram que esteve exposto a um agente neurotóxico, do tipo Novichok, da era soviética.

As autoridades russas têm rejeitado todas as acusações de envolvimento no envenenamento, denunciando uma conspiração anti-russa envolvendo o Ocidente.

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